Investigação da Polícia Civil aponta que vereadores de Campo Grande se encontravam em uma chácara para tramar a cassação de Alcides Bernal (PP), que ocorreu em março de 2014.
O trabalho dos policiais foi feito em total sigilo, paralelo à apuração do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo a Polícia Civil, foram descobertos locais de encontro para as articulações, bem como houve provas e depoimento relevantes.
O inquérito, segundo disse ao G1 nesta segunda-feira (5), a delegada Ana Cláudia Medina, titular da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Deco), foi relatado e encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), na última quarta-feira (30).
Dezenas de pessoas foram ouvidas, inclusive os parlamentares investigados e uma assessora, que relatou com “riqueza de detalhes”, conforme a Polícia Civil, uma chácara onde ocorriam os encontros, bem como a maneira de recebimento da propina.
Conforme o promotor e coordenador do Gaeco, Marcos Alex Vera, o órgão recebeu da Polícia Civil um “pedido de providências” e a cópia do inquérito já está em mãos de uma promotora. “Estamos com uma cópia e o documento ainda será analisado. Caso surjam fatos novos, vamos acrescentar estas informações na nossa investigação. A previsão é que até o dia 18 já tenhamos finalizado as apurações”, comentou o promotor.
Perícia
Sobre a perícia nos 17 aparelhos celulares dos vereadores investigados, o promotor citou que a previsão é que os laudos fiquem prontos até a próxima sexta-feira (9). Peritos do instituto de criminalística analisaram o conteúdo e, em menos de um mês de trabalho foram recuperadas mais de cinco mil páginas de mensagens de textos trocadas pelos suspeitos.
Coffee Break
A operação Coffee Break foi deflagrada em 25 de agosto e cumpriu 13 conduções coercitivas, quando a pessoa é levada obrigatoriamente a prestar depoimento. O nome desta nova ação, inclusive, conforme o coordenador do Gaeco, o promotor de Justiça, Marcos Alex Vera de Oliveira, é uma referência ao “cafezinho”, que seria como os suspeitos da outra operação se referiam ao pagamento de propinas.
O prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP), e o presidente da Câmara Municipal, Mário César Fonseca (PMDB), foram afastados dos seus cargos no mesmo dia, em razão da suspeita de corrupção ativa e passiva na votação da Câmara que cassou o mandato do ex-prefeito Alcides Bernal (PP), em março de 2014.
O vice-presidente da Câmara, Flávio César (PT do B), chegou a anunciar que assumiria a chefia do Executivo durante pronunciamento. Entretanto, durante a tarde de 25 agostom por 2 votos a 1, os desembargadores da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) determinaram a volta de Alcides Bernal à chefia do Executivo campo-grandense.
Prisão
Na semana passada, o Gaeco pediu afastamento dos parlamentares que teriam envolvimento na trama para cassar Bernal e também do prefeito afastado Gilmar Olarte (PP) e do empreiteiro João Amorim, que também teriam envolvimento no esquema.
No entanto, apenas foi aceita o pedido em relação ao empreiteiro e ao prefeito afastado.
O primeiro passou cerca de 30 horas na cadeia e o segundo se apresentou à Justiça na última sexta (2). Os promotores do Gaeco dizem acreditar que Olarte e João Amorim encabeçaram a organização para cassar Bernal, em março de 2014.
Os investigadores concluíram que para garantir a cassação, o empreiteiro comprou votos de 17 vereadores de vários partidos.
Ainda de acordo com a investigação, o empreiteiro tinha interesse em cassar Bernal para que Olarte assumisse a prefeitura. Amorim também é investigado pela Polícia Federal por supostas fraudes em licitações e desvio de recursos públicos.
G1


