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Militantes vão financiar pleito

por Redacao
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Gastar menos, andar mais e acentuar o diálogo com filiados e simpatizantes. Após o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir a doação privada de campanha eleitoral, estas devem ser as tônicas das legendas que vão protagonizar a disputa em Belo Horizonte e nas outras cidades mineiras em 2016.

Os partidos vão precisar se reinventar para conseguir fazer campanhas convincentes para o eleitor sem o dinheiro das empresas. Em 2012, por exemplo, as sete candidaturas à prefeitura da capital consumiram R$ 50,2 milhões.

O cálculo do montante que veio de empresas, no entanto, é impossível, já que R$ 35 milhões vieram dos diretórios nacionais, estaduais e municipais das siglas, ou seja, não é possível saber a origem do valor repassado pela sigla a determinado candidato.

Com previsão de caixa minguado, a estratégia do PSDB foi lançar uma campanha nacional de filiação e colocar em prática um programa de arrecadação. O presidente da sigla em Belo Horizonte, Reinaldo Alves Costa Neto, explicou que a legenda ainda não sabe quanto vai precisar para fazer a campanha de seu candidato na capital, mas assegura que o escolhido terá que se aproximar mais dos eleitores.

“Não vamos mais ter campanhas feitas por agências caras, que constroem a imagem dos candidatos. A disputa será menos midiática, e o candidato vai precisar convencer o eleitor com mais conversa e proximidade”, disse o dirigente partidário, que explicou o modelo atual de arrecadação da legenda. São três planos de cotas mensais para doadores: ouro, R$ 400; prata, R$ 200; e bronze, R$ 100.

O secretário de Meio Ambiente do Estado, Sávio Souza Cruz (PMDB), pré-candidato à Prefeitura de Belo Horizonte, entende que o modelo de campanha será mais “verdadeiro”. “O candidato precisará ser autêntico. Vamos virar essa página de vender candidato como se fosse detergente, sabonete. As agências criam imagens parecidas, e as propostas também ficam parecidas. O eleitor vai saber diferenciar um nome do outro”, disse o peemedebista, que aposta que as redes sociais ganharão ainda mais importância no pleito de 2016. No PMDB de Minas, as doações não têm cotas preestabelecidas, cada filiado ou simpatizante doa o que pode. No entanto, quem tem mandato deve contribuir com 10% de seu subsídio ao partido.

Na trincheira petista, a promessa é resgatar bandeiras históricas da sigla para atrair a colaboração dos militantes. “Vamos retomar bandeiras que perdemos, principalmente a da participação popular. O PT já tem militantes ativos que ajudaram muito nas vitórias”, explicou a presidente do PT de Minas Gerais, Cida de Jesus, que disse que a partir de outubro, a legenda vai começar a planejar suas ações para o pleito de 2016.

O PT já estipula três faixas de doação dos filiados. Uma delas é para quem ganha de zero a três salários mínimos, com anuidade mínima de R$ 5. A segunda faixa enquadra quem ganha de três a seis salários, no valor correspondente a 0,5% da renda mensal. Já quem recebe mais de seis salários mínimos, doa 1% do valor correspondente ao salário.

Caixa dois e custo não serão reduzidos, afirma marqueteiro

Apesar das avaliações dos dirigentes partidários, para o marqueteiro Marco Iten, a proibição de doações privadas não vai mudar o perfil de candidatos, diminuir os custos das campanhas eleitorais ou acabar com as relações suspeitas entre empresas e políticos. “Eu não vejo uma mudança verdadeira nas campanhas. As empresas fornecedoras das prefeituras vão continuar interessadas em doar para os candidatos. Vamos continuar vendo a prática do caixa dois, que é sempre mais expressivo do que o caixa um. Além disso, o sistema de TV aberta e de rádio está perdendo audiência. Para suprir este vazio, será necessário acentuar os investimentos em outros modelos de alcance ao eleitor”, pondera Marco Iten.

O marqueteiro ainda aponta que a reforma política aprovada no Congresso não apontou nenhuma medida moralizante e disciplinadora do sistema eleitoral brasileiro. “Nosso modelo é perverso e propenso à corrupção”, sentencia.
A panaceia das contribuições de pessoas físicas, apontada como alternativa pelos partidos, também não convenceu Iten, que não acredita em grande volume de arrecadação neste modelo de contribuição. “O número de doações de pessoas físicas no Brasil é mínimo e ridículo. É só avaliarmos outros países da Europa e os Estados Unidos.”
Argumento. O principal nome do Supremo Tribunal Federal contrário ao fim do financiamento privado de campanha, o ministro Gilmar Mendes, usou como argumento para o seu voto o possível aumento do caixa dois e de lavagem de dinheiro. “Não é difícil obter os CPFs necessários para lavar os recursos de propina, que retornariam às campanhas como valores lícitos”, disse Mendes, que ainda destacou que a Justiça Eleitoral teria mais dificuldade em fiscalizar as movimentações financeiras dos partidos.
Disputa presidencial foi bancada por empresas

As doações de empresas privadas representaram 80% da arrecadação das principais campanhas à Presidência da República em 2014.
Ao todo, a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) recebeu 95% de doações de pessoas jurídicas. A petista, que disputou o segundo turno contra Aécio Neves (PSDB), arrecadou R$ 350,4 milhões durante toda a campanha.
Já o senador Aécio teve a participação de 87% de recursos de empresas em sua campanha eleitoral, que somou receita total de R$ 226,8 milhões.
Terceira colocada na disputa, Marina Silva (PSB) também teve 87% de sua arrecadação originária de pessoas jurídicas. A socialista, que ocupou a cabeça de chapa do partido após a morte de Eduardo Campos (PSB), conseguiu levantar R$ 43,9 milhões.

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