Durante reunião com representantes da agropecuária, indústria e comércio de Mato Grosso do Sul, nesta quarta-feira (08/07) no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS), o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, pregou a rebeldia do Brasil Central. “Estamos construindo uma nova estratégia nacional de desenvolvimento do Brasil baseada na ampliação de oportunidades educacionais e produtivas. Nós temos muito a fazer no Governo Federal, mas o País não pode depender só da União, pois, uma estratégia nacional e produtivista só vale se for construída de baixo para cima”, declarou.
Na avaliação do ministro, o dinamismo brasileiro aparece na sua forma mais pura e concentrada no Centro-Oeste e os governadores dos Estados que integram essa Região precisam tomar nas próprias mãos o destino dessas unidades da federação. “No mês passado, esses governadores reuniram-se em Goiânia (GO) e decidiram organizar o Movimento Brasil Central, estabelecendo uma organização para coordenador a política de desenvolvimento regional. Minha esperança é que essa mesma política sinalize para o resto do País o caminho a ser seguido”, reforçou.
Roberto Mangabeira acrescenta que a estratégia de desenvolvimento defendida por ele está baseada em algumas grandes vertentes. “A primeira é avançar na recuperação das pastagens degradadas para se fazer a intensificação da pecuária e diversificação da agricultura, a segunda vertente é a industrialização de produtos agropecuários e avança para a indústria do futuro, que está baseada no conhecimento e inovação, enquanto a terceira é a logística, focada em uma logística multimodal que suscite novas atividades econômicas”, afirmou.
Para o ministro, todas essas iniciativas produtivas só vão prosperar se forem reforçadas por uma grande mudança na educação. “É isso que estou propondo, que o Brasil Central abrace um projeto ousado de melhoria da qualidade do ensino básico, com a criação de uma nova escola média, que coloque competências analíticas no lugar do tradicional decoreba. Também defendemos uma nova educação profissionalizante, que priorize a capacitação flexível exigida pelas tecnologias modernas, sendo que nesse ponto o Senai terá um papel importantíssimo, disponibilizando a infraestrutura necessária para viabilizar esse projeto”, pontuou.
Ele analisa que o mais importante agora ter um rumo, organizar os instrumentos e recursos. “A decisão mais importante já ocorreu, que foi a dos governadores colocarem o Brasil Central na vanguarda do País, andar na frente e não esperar passivamente que a solução venha de cima. A verdadeira vocação da política regional é estimular o vanguardismo alternativos no País. Isso tudo depende da organização de um novo consenso nacional, por exemplo, o regime tributário precisa ser simplificado e isso só será possível com uma articulação política. A confusão ambiental, que gera um grave problema ao setor produtivo, precisa ser solucionada com regras claras. Porém, tudo isso necessita de um novo consenso nacional e os governadores do Centro-Oeste precisam liderar uma nova articulação para levantar essas travas do desenvolvimento”, finalizou.
Repercussão
O presidente da Fiems, Sérgio Longen, elogiou a proposta do ministro Roberto Mangabeira, mas quer mais celeridade nas ações que param o desenvolvimento econômico. “Considero importante que o ministro fale em rebeldia, pois, se ele como integrante do primeiro escalão do Governo propõe isso, imagina nós que somos empresários e não aguentamos mais pagar impostos. É a hora de rebeldia sim, que os governadores e empresários se reúnam para cobrar os ajustes necessários para a nossa nação”, declarou.
Para o presidente da Fecomércio-MS, Edison Araújo, o ministro Roberto Mangabeira pode ser o porta voz de Mato Grosso do Sul junto ao Governo Federal para encontrar uma melhor solução para o desenvolvimento estadual. Já o presidente da Famasul, Nilton Pickler, pediu a intervenção do ministro com relação à questão indígena. “Não queremos que Mato Grosso do Sul vire uma terra sem lei”, declarou. O deputado estadual Paulo Corrêa reforçou que está difícil manter a lei no Estado e essa insegurança jurídica afasta os investimentos. “Ainda temos a questão da dívida do Estado, que não para de crescer e o Governo Federal atuar na solução desse problema”, solicitou.


