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Autoridades buscam métodos educativos para conter violência contra a mulher

por Redacao
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Encontrar um método consensual visando à solução para conter a violência doméstica contra a mulher foi alvo de exaustivas discussões durante audiência pública ocorrida na tarde desta quinta-feira (7) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Proposta pelas deputadas estaduais Mara Caseiro (PTdoB) e Dione Hashioka (PSDB), a audiência “Onde há violência, perde-se o respeito” reuniu, além de autoridades e especialistas diretamente ligadas a causa feminina, uma plateia que lotou as galerias da Assembleia, incluindo estudantes e lideranças comunitárias.

Em discurso na abertura do evento, Mara Caseiro observou que lamentavelmente o problema da violência contra a mulher é cultural, no entanto, disse achar possível se encontrar meios de por fim ao que chamou de “preconceito machista” ainda predominante no meio social nos dias atuais.

Mara acredita que a mudança dessa prática seria gradativamente implantada no ambiente familiar por meio da educação.

“Precisamos pensar em mudar essa cultura para prevenção dessa violência, que começa na geração de nossas crianças”, sugeriu a deputada, ao destacar que a própria mulher, independentemente de sofrer preconceito ou não, educa os filhos com esse pensamento machista.

Apesar de reconhecer a importância das políticas públicas para a mulher e dos avanços e conquistas visando acabar com as diferenças sociais, Mara Caseiro conclamou a todos na busca de solução para esse grave problema.

“Infelizmente, ainda criamos uma criança com essa cultura machista. Precisamos sim das instituições de repressão à violência, mas precisamos mudar  essa cultura machista que está enraizada entre nós”, continuou Mara Caseiro, ao ser aplaudida pela plateia.

Mara sugeriu a inclusão de uma disciplina de igualdade de gênero no currículo escolar, explicando que é uma medida importante para promover uma mudança cultural, contra o machismo.

“Abrigos são importantes, centros e delegacias especializados também, mas a sociedade não pode continuar educando os homens para serem machões. Defendemos um novo conceito onde homens e mulheres possuem os mesmos direitos”, colocou.

TOLERÂNCIA ZERO

Para Dione Hashioka, a sociedade tem consciência que esta é uma luta de todas as mulheres e também da humanidade.

“É contra todos estes tipos de violência que temos lutado, pois sabemos que mais do que cobrar o cumprimento da lei, precisamos reforçar a autonomia das mulheres, reivindicando assim, para cada uma delas, uma atitude digna e cidadã diante da vida.  A mulher tem um papel fundamental na estrutura familiar e, por reconhecer isto, queremos na verdade, fazer parte de um processo em que os governos e a própria sociedade se unam para que haja tolerância zero com todas as formas de violência contra a mulher”, cobrou.

A subsecretária da Mulher e da Promoção da Cidadania do Governo do Estado, Thai Loschi, explicou que Campo Grande e Mato Grosso do Sul lideram os índices de telefonemas para o Disque 180, que recebe denúncias de violência contra as mulheres. Somente neste ano, até setembro, o serviço 180 recebeu 2.372 telefonemas do Estado.

Para ela, isso é resultado do trabalho de divulgação do Disque 180 e pela qualidade do trabalho da rede de enfrentamento à violência contra a mulher. “Campo Grande é a capital em 1º lugar do Brasil em ligações, isso se deve ao trabalho das delegacias especializadas, postos de saúde e dos operadores do Direito”, contou.

O psicólogo Ângelo Motti disse que é muito comum que as mulheres reproduzam a cultura machista ao criar seus filhos, no entanto, segundo ele, se isso é cultural não é natural.

“É preciso que se use algo como ferramenta de mudança de atitude. Se de um lado tem legislação avançada, por outro, a prática é o avesso disso, então é preciso trabalhar para que se implante  uma cultura que supere isso. Também é preciso acabar com a mulher vítima, é um  desafio muito grande, mas é importante”, frisou.

Entre outras autoridades, participaram do evento as  vereadoras Luiza Ribeiro (PPS) e Carla Stephanini (PMDB), o desembargador Ruy Celso Florence, a delegada Marília de Brito Martins, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher; a pastora Giseli Oliveira de Loyola, do Tamar, que é um Grupo de Apoio da 4ª Igreja Presbiteriana; Magali Rodrigues, do Esquadrão da Vida; e Eliane Alcova, do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher.

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