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Participação no Luz Na Rodô, evento que vai reunir as mais diversas expressões de arte-cultura na Capital, no prédio da antiga rodoviária, dias 19 e 20 de julho. É isso que marca o retorno do sul-mato-grossense, hoje morando em Dourados, Luciano Wallimann Wolff. Mais conhecido por sua literatura, os atuais flertes com as artes plásticas e o artesanato também servem a este fim: “divulgar a escrita”.

O artista plástico vai expor no evento Luz Na Rodô
“Não sou um artista plástico, o que mais se aproxima disso é o que eu descobri como alternativa para suporte da literatura, que são os painéis que tenho criado. Eu queria libertar meus poemas das páginas de livros, até porque é muito difícil, trabalhoso e caro publicar livros”, comenta. Os novos trabalhos chamam a atenção pelo fato de serem produzidos a partir de material reaproveitado.
“A grande diversão para mim é o fato de usar quase totalmente material que iria para o lixo, sacolas plásticas de supermercado, garrafas de vidro, chapas de madeira, azulejos e vários outros”. Ele completa que a questão do consumo (ir)racional deve estar presente como reflexão no cotidiano de todas as pessoas. “Percebi por mim mesmo, que a gente costuma consumir muito mais do que precisamos e até do que podemos.
Além desse exagero, ainda tem outra parte exagerada, que é do que ainda desperdiçamos, a mais do que já consumimos sem necessidade. Ou seja, consumimos duplamente errado e ainda somos escravizados por esse consumismo, as pessoas chegam a abrir mão de seus valores, de sua dignidade, em nome de oportunidades materiais de ter, ter e ter – e começam até a volorar a si mesmas e aos outros como meros objetos de consumo”.
Ele confecciona peças que vão desde objetos decorativos até mobília. “Hoje em dia, as coisas são feitas para não durar, para manter o cidadão escravizado no ciclo do consumo, alimentando não a si mesmo e sua família, nem construindo seus sonhos, mas alimentando os ricos, donos das fábricas de móveis, utensílios, máquinas, e tudo é descartável”. E observa que as pessoas desvalorizam coisas que podem tornar a vida mais bonita, mais gostosa.
“Comecei com isso por um conjunto de fatores. Eu tentei ser uma pessoa comum, longe das artes, da comunicação, da política, de tudo que me causou algumas decepções duras de suportar. Só que achei a vida de pessoa comum um tédio mortal e estava sentindo muita falta de algo criativo, então, eu queria um novo suporte para a literatura, estava precisando mobiliar meu apartamento e a gota d’água foi precisar de algo para relaxar, pois estava muito estressado com as questões profissionais, acadêmicas”.
Foi com todos esses ingredientes e reparando no quanto de coisa jogada, à disposição da criatividade, gratuitamente, que foi impulsionado a voltar às artes com mais afinco no fim do ano passado. “Se eu fosse comprar coisas no comércio para o meu apartamento, ia comprar coisas baratas, descartáveis e horríveis, que não têm nada a ver comigo. Ou ia me afundar em dívidas, porque coisa boa é cara. Optei então por algo mais acessível e que dá ao lugar em que eu moro a minha cara”.
Com a mão na massa, as primeiras obras ficaram escondidas. Aos poucos foi tomando coragem de mostrar para os amigos, que gostaram e incentivaram, depois publicou em sua página no facebook (WWW.facebook.com/andaminhos) e em seguida concorreu concorrer a um edital público para mostra de artes e foi escolhido. “E assim fui tomando confiança, os convites foram aparecendo e já me considero algo próximo de um ‘quase-artista” e agora até posso vender meu trabalho, quando alguém se interessa”, diz, sorrindo. E finaliza convidando os campo-grandenses e quem estiver na Capital nesses dois dias para conhecer a sua arte e da seleção de talentos que estará reunida no Luz na Rodô.
Luciano Wallimann Wolff, de Dourados, e Jessica Lima, são os únicos artistas do interior a participarem do evento. Os dois já expuseram antes, juntos, no Mosh Fest, em Nova Andradina, cidade onde reside a artista e professora. É a segunda vez que Wolff expõe na Capital, tendo sido a primeira vez na década de 1990, no I Salão Universitário de Artes Plásticas da UFMS, sendo um dos selecionados, quando lá era acadêmico de comunicação social.

