O MPE/MS (Ministério Público Estadual) investiga um empréstimo no valor de R$ 15 milhões realizado pela administração do Hospital do Câncer Alfredo Abrão, de Campo Grande, alvo da Operação Sangue Frio – que investiga desvio de recursos públicos federais em dois hospitais de Mato Grosso do Sul.
O possível afastamento dos administradores do Hospital do Câncer está na mão do juiz Amaury Kuklinsk, da Vara de Direitos Coletivos, Difusos e Homogêneos. O MPE já tem até uma lista de “administráveis” para o hospital.
O empréstimo suspeito se soma à outras possíveis irregularidades, como cobrança do SUS de tratamento de quimioterapia em morto, contratação de integrantes da família Siufi para trabalhar no hospital filantrópico com salários elevados, compra de materiais elétricos de empresa de sócio do hospital e fraude em constituição de empresa. As acusações ameaçam de afastamento os administradores do Hospital do Câncer, encabeçada por Adalberto Abrão Siufi.
De acordo com a promotora de Defesa do Patrimônio Público e Social, Paula da Silva Santos Volpe, o empréstimo de R$ 15 milhões não teria sido bem explicado pela administração do hospital. Parte do montante, R$ 9 milhões, seria para quitar uma dívida da instituição, o restante, porém, não teve o destino explicado.
“Tomamos conhecimento do empréstimo recentemente, e estamos investigando”, afirmou a promotora, em entrevista ontem (19).
Outro caso que chamou a atenção da promotoria foi a venda do terreno ao lado do Hospital do Câncer, que teria sido negociado abaixo do valor de mercado e demorado muito para ser desocupado. O comprador do terreno, inclusive, teria feito parte do Conselho Curador do Hospital do Câncer.
Ontem, Adalberto Siufi chegou a ser preso por porte ilegal de arma de fogo, durante uma “batida” da Polícia Federal, mas foi solto após pagamento de fiança.
“Administráveis”
Ainda segundo Paula Volpe, a promotoria já tem uma lista de nomes de possíveis administradores do Hospital do Câncer, caso o juiz decida pelo afastamento dos atuais responsáveis.
A promotoria, porém, não pode revelar os nomes. “Primeiro que eles ainda teriam que aceitar o cargo, que não tem salário”, comentou Volpe.
Hospital do Câncer
A investigação aponta que o Hospital do Câncer estaria sendo usado como fachada para desvio dos recursos. Os pacientes entravam pelo HC, mas todo o tratamento seria pago para a Neorad. A informação é que os tratamento são pagos à Neorad (empresa da família Siufi) com acréscimo de 70% em relação à tabela SUS.
A PF explica que a tabela é fixa para todos os hospitais, sem exceção. Além disso, lembra que há indícios de monopólio do tratamento do câncer em Mato Grosso do Sul.
A investigação, segundo o superintendente da PF, surgiu após denúncias, ações civis e inquéritos do Ministério Publico Federal, os quais apontam irregularidade no serviço de oncologia.
Hospital Universitário
Quatro pessoas foram afastadas da administração do HU. Dois funcionários efetivos e dois terceirizados. A investigação no hospital é por superfaturamento de obras. A informação da CGU (Controladoria Geral da União) é que os valores estavam muito acima da tabela Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil).
A coordenadora da CGU (Controladoria Geral da União), Janaína Farias, informa que até agora já foram constatados R$ 3 milhões em desvios. Contudo, Faria esclarece que o valor pode aumentar após a análise do material apreendido.
Segundo o superintendente da PF, pelo menos sete pregões do HU tem sérios indícios de irregularidades.
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