O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) encaminhou à Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira, um pedido de abertura de investigação para apurar manifestações maldosas que circulam na internet e em redes sociais abordando a tragédia na Boate Kiss, em Santa Maria. Segundo o promotor Joel Oliveira Dutra, responsável pelo expediente, o objetivo é coibir a propagação de mensagens que ferem o luto de familiares das mais de 230 vítimas do incêndio.
“Em tese, existem alguns crimes cometidos. Pode ser injúria, ainda que coletiva, que seriam crimes – digamos assim – de menor importância. Mas não dá pra deixar passar”, afirmou o promotor. De acordo com Dutra, o delegado da Polícia Federal em Santa Maria, Diogo Caneda, se prontificou a fazer uma varredura nas redes sociais para identificar os autores das mensagens, muitas delas com piadas de mau gosto a respeito da tragédia.
“Muitos (dos agressores) tu entra agora na rede e vê, mas daqui a pouco tu entra e não tem mais (a mensagem). Mas está tudo identificado”, alertou o promotor. Segundo Dutra, as mensagens partiram de internautas que residem tanto em Santa Maria quanto em outras partes do País. “Tem de tudo que é lugar. Desde o sujeito que brinca com a dor das vítimas até a questão da rivalidade regional”, disse.
O promotor enxerga dificuldade na repressão a esse tipo de crime e pede uma reflexão para possíveis mudanças na legislação. “Na internet, se tu fizeres uma injúria individual, é crime. Mas quando é injúria coletiva, a gente encontra dificuldade para encontrar um artigo em que possa enquadrar. Então teria que ver se não é hora de conscientizar as pessoas, para que se permita que a gente coíba esse tipo de coisa”, concluiu.
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