517
Durante os dias 25 e 26 de outubro, foi realizado na cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul, o 1º Fórum “Povos Tradicionais do Pantanal de Mato Grosso do Sul – Os saberes tradicionais e a conservação do Pantanal”. O encontro reuniu mais de 300 pessoas no auditório da Faculdade Salesiana de Santa Teresa para debater as necessidades, dificuldades e ações para o fortalecimento dessas populações vulneráveis, por muitos considerados os “guardiões” do Pantanal.
A abertura do Fórum contou com apresentação do grupo Comitiva Pantaneira, de Ladário – meninos e meninas de 7 a 14 anos que apresentaram músicas e danças tradicionais de Mato Grosso do Sul. Na sequência, o subprocurador-geral da República Aurélio Rios ministrou palestra sobre a história e a importância dos povos tradicionais no Brasil contemporâneo.
Durante o evento, André Luiz Siqueira, Diretor de Políticas Públicas da Ecoa, além de coordenar um grupo de trabalho intitulado “Preço justo da isca-viva no Pantanal Sul”, apresentou juntamente com o secretário de Educação de Corumbá, Hélio de Lima, o tema “Experiência da educação no Pantanal”, falando sobre os desafios da educação na região pantaneira, por meio dos resultados do projeto “Criança das Águas” fases I e II, apoiado pelo “Criança Esperança” e executado pela Ecoa em 2009 e 2010 em parceria com a Secretaria de Educação de Corumbá e outros diversos atores locais.
Ainda em sua apresentação, André ressaltou os impactos dos eventos climáticos nas políticas públicas locais. “As grandes cheias e as secas prolongadas são resultado dos eventos climáticos extremos que interferem nos fenômenos naturais da região. Porém, é necessário desenvolver ferramentas que auxiliem as populações ribeirinhas – que são as mais vulneráveis diante destes eventos – para que elas possam enfrentar essas mudanças sem comprometer o desenvolvimento socioambiental e econômico dessas regiões.”
Durante sua fala, André falou sobre as alternativas econômicas como o “Turismo de Bases Comunitárias”, no qual a Ecoa vem desenvolvendo, aumentam o ingresso a renda nestas comunidades, traz maior sustentabilidade as regiões e permitem acessarem maiores recursos para a infraestrutura comunitária necessária.
Wilson Rocha Assis, procurador da República, convidou todos os presentes a participar ativamente do fórum. “Não queremos que este encontro seja sobre os povos tradicionais, mas dos povos tradicionais, de todos vocês que vivem no Pantanal, que sabem, na prática, o que é preservação ambiental e que precisam se unir para enfrentar juntos os desafios de viver nesse ecossistema tão complexo”, afirmou o procurador que apresentou o tema “Os desafios da etnoconservação no Pantanal de Mato Grosso do Sul”.
No decorrer do evento, ainda foram realizadas diversas palestras, tais como: “Vale (Des)Encantado: trabalho feminino e estratégias de resistência na Comunidade de Antonio Maria Coelho”, com a pesquisadora Aldalgiza Campolin, da Embrapa Pantanal; “Pantaneiros-cidadãos: diferentes formas de reprodução social – Populações tradicionais e uso dos recursos naturais pelos povos ribeirinhos”, com a pesquisadora Cristhiane Oliveira da Graça Amâncio, da Embrapa Agrobiologia; entre outras.
O evento, realizado pelo Ministério Público Federal (MPF), Embrapa Pantanal e Faculdade Salesiana de Santa Teresa, contou com o apoio do Exército e da Marinha, das Prefeituras de Corumbá e Ladário, além da Superintendência Estadual do Ministério da Pesca e Aquicultura.
ecoa

