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Fiscais do Ibama de MS são presos em flagrante por extorsão

por Redacao
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Dois fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Mato Grosso do Sul foram presos em flagrante ontem pela Polícia Federal, quando extorquiam um empresário do setor de madeireira. A prisão foi no centro de Campo Grande, quando eles foram receber os R$ 5 mil que haviam exigido para não multar a empresa por supostas irregularidades administrativas. Toda a negociação e a entrega do dinheiro foi gravada em vídeo e áudio pela PF, que obteve autorização da Justiça para adotar esse procedimento, comum em investigações sobre corrupção.

O caso começou a ser investigado no início da semana. O empresário recebeu a visita dos dois fiscais em sua empresa e depois de uma suposta fiscalização eles alegaram que a empresa madeireira estava com problemas administrativos. Os fiscais exigiram R$ 50 mil para não aplicar a multa. Como o empresário sabia que não havia nada de irregular, disse que o montante era muito alto e precisaria de tempo para levantar o dinheiro. Em seguida, ele procurou a Superintendência do Ibama para denunciar os fiscais.

Feito isso, o empresário foi levado pelo superintendente do Ibama, Davi Lourenço, para a sede da Polícia Federal, onde ele formalizou a queixa e a PF iniciou as investigações. Orientado pela polícia, o dono da madeireira voltou a conversar com os fiscais e ficou acertado então que o pagamento seria de R$ 5 mil. Combinado o dia e o local do pagamento da propina, um dos fiscais recebeu o envelope com o dinheiro e em seguida ligou para o colega que foi ao encontro dele. Nesse momento, foram presos pela PF e levados para a Delegacia da PF, onde passaram o dia sendo ouvidos. A advogada deles pretendia entrar ainda ontem com o pedido de relaxamento da prisão, para que os dois possam responder o processo em liberdade.

A assessoria do Ibama informou que será aberto processo administrativo para que os dois servidores sejam demitidos. Os dois fiscais, que trabalham no órgão há quase 30 anos e recebem salário de R$ 5, 6 mil, não tinham autorização para fazer nenhuma fiscalização na empresa que tentavam extorquir. Ao serem presos, eles negaram que estivessem ido ao encontro do empresário para receber propina.

Fonte: Paulo Yafusso, Especial para O Globo

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