Nada de troco agora, mas pode haver mais adiante. O PMDB parece ter entendido bem o recado do Palácio do Planalto aos possíveis dissidentes da base governista na votação da medida provisória do salário mínimo. De olho na retomada das nomeações para o segundo e terceiro escalões do governo, o vice-presidente Michel Temer foi para Câmara e, com o líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN), se empenhou nesta quarta-feira em convencer os colegas de legenda a engolir eventuais insatisfações, para ajudar o partido a mostrar toda sua força e peso.
Na tentativa de assegurar uma posição unânime da bancada a favor do mínimo de R$ 545, Alves chegou a convocar pelo menos dois deputados licenciados do Rio, Pedro Paulo e Leonardo Picciani, para a votação.
– Minha expectativa é garantir todos os 77 votos da bancada a favor do mínimo de R$ 545. Quero mostrar que o PMDB pode votar unido não só hoje (quarta-feira), seja a favor ou contra – observou Alves, devolvendo as ameaças feitas pelo Planalto.
Alves recebeu a ajuda de Temer em seu esforço para garantir a unidade do partido na votação do mínimo. Convidado pelo líder do PMDB a expor nesta quarta-feira para a bancada sua proposta de reforma política, Temer aproveitou a oportunidade para fazer um apelo aos deputados peemedebistas.
– Temos de manter a nossa unidade, porque a força política de qualquer partido se dá pela sua unidade de ação – disse Temer, aplaudido pela bancada.
Na hora da votação, a emenda de R$ 560 foi derrotada por 361 votos contra, sendo que apenas 120 votos a favor, além de 11 abstenções. Rachado, o PDT liberou a bancada na votação dos R$ 560. Dos 27 deputados do PDT, apenas nove votaram a favor dos R$ 560, ou seja, contra o governo, um estava em plenário e se absteve de votar e outro estava ausente do plenário.
O PMDB mostrou total afinidade com o governo: os 77 deputados votaram com o governo, nas duas votações das emendas que elevavam o mínimo para R$ 600 e para R$ 560. Momentos antes da votação, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), anunciou que o partido votaria coeso, garantindo 100%.
