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10 anos de celebração, lutas e conquistas em defesa do rio Paraguai

por Redacao
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ONGs, movimentos sociais de Cáceres (MT), comunidades ribeirinhas e pessoas interessadas na preservação das águas, celebraram no dia 14 de novembro o 10º Dia do Rio Paraguai; aproveitando a data para realizar a “I Expedição da Sociedade Organizada ás Nascentes do Rio Paraguai”.

Rio Paraguai na região do Porto da Manga.

São 10 anos de atividades concretas, de lutas e conquistas em defesa da vida do principal afluente da maior área úmida continental do mundo, o Pantanal, considerado Patrimônio Nacional pela Constituição Federal de 1988 e Reserva da Biosfera pela Unesco, no ano 2000.

Nos últimos anos ocorreram quatro expedições descendo o Rio Paraguai, neste ano a ação será a primeira visita as nascentes.

Surgimento do Dia do Rio Paraguai

No dia 14 de novembro de 2000, estava marcada a audiência pública sobre o licenciamento ambiental para a construção do porto de Morrinhos, região a 83 Km do centro urbano de Cáceres, cidade localizada a oeste do estado do Mato Grosso, a 210 quilômetros da capital Cuiabá.

O porto de Morrinhos seria o berço da Hidrovia Paraná-Paraguai, projeto amplamente questionado pela sociedade até os dias de hoje. Porém, devido a uma determinação judicial a audiência foi cancelada e então a decisão foi comemorada pela sociedade no município de Cáceres.

Então, desde o ano de 2001 criou-se o Dia do Rio Paraguai, comemorado todo o dia 14 de novembro pelas comunidades rurais e centros urbanos localizados nas proximidades do rio Paraguai, que preparam uma grande festa para demonstrar seu amor e o sentimento de proteção.

O rio Paraguai nasce na Chapada dos Parecis, em Mato Grosso, e ao longo de seu curso rumo ao sul recebe vários afluentes importantes pela margem esquerda, destacando-se os rios Cuiabá, Taquari, Miranda e Negro. Abrange uma área de 1.095.000 Km², sendo 33% no Brasil e o restante na Argentina, Bolívia e Paraguai.

JURAMENTO DO RIO PARAGUAI

No dia 14 de novembro de 2003 a população comemorou o 3º Dia do Rio Paraguai, com o Juramento do Rio Paraguai, pronunciado pelo padre da Igreja Católica Progressista, Isidoro Salomão.

Juro neste momento,
Diante das águas do rio Paraguai,
A defender a pureza de todas as águas,
A amar o nosso rio,
A amar a natureza,
A amar a vida e estar a serviço dela,
Porque amo e porque
quero o bem de todos o povos
Viva o rio Paraguai!

AS PRINCIPAIS AMEAÇAS

Hidrovia Paraná-Paraguai

A Hidrovia Paraná-Paraguai, ameaça que ainda assombra o rio Paraguai, é um plano dos cinco países que formam a Bacia da Prata. O objetivo é transformar os rios Paraguai e Paraná em um canal industrial de navegação.

Segundo o plano original desenvolvido em 1997 pelo Comitê Intergovernamental da hidrovia (CIH), com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento, seria feito intervenções de engenharia, tais como, derrocamento, dragagem, e canalização estrutural em centenas de sítios ao longo do sistema de 3.400 km, desde Cáceres, Mato Grosso, Brasil até Nova Palmira, no Uruguai.

Segundo especialistas, a canalização do rio Paraguai causaria diversos impactos ambientais, provocando com uma perda enorme de biodiversidade, afetando toda a vida no Pantanal. Este projeto foi arquivado, porém a sociedade mantém o monitoramente, pois sempre as empresas de navegação solicitam obras de dragagem e continuam articulação para implementação de um nova proposta.

Expansão da Pecuária e Agricultura

A expansão da pecuária e da soja em áreas do planalto tem aumentado o desmatamento e a erosão. Vários rios da região, como o Taquari e o São Lourenço, apresentam elevada capacidade de transporte de sedimentos que se depositam no Pantanal e causam o assoreamento dos rios, fato que já pode ser constatado em várias partes do rio Paraguai.

Usinas Hidrelétricas

Existem também as pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), recentemente, um levantamento constatou que existe cerca de 100 projetos para a implantação de usinas hidrelétricas – de pequeno, médio e grande porte – nos rios de planalto da alta bacia do rio Paraguai.

As instalações destas barragens podem alterar o pulso de inundações na planície, prejudicando a biodiversidade da região pantaneira, limitando a migração de peixes que sobem os rios para reprodução e retendo organismos aquáticos importantes para a alimentação de animais. Além de causar impactos sociais na vida das comunidades ribeirinhas ao longo do rio Paraguai.

Ecoa/Foto: Jean Fernandes

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