Os últimos três governadores de Mato Grosso do Sul estariam envolvidos em um esquema de mais de R$ 150 milhões de propina com a JBS. O empresário Wesley Batista, um dos proprietários do maior grupo frigorífico do mundo, citou como funcionava os pagamentos para os chefes do Executivo estadual e quem participava das tratativas. Os fatos foram descritos com riqueza de detalhes em sua delação premiada realizada no início deste mês.

Wesley revelou que o dinheiro era repassado por meio de doleiros, notas frias e em espécie. Foto: Divulgação
De acordo com o executivo, o dinheiro repassado era garantia de conseguir benefícios fiscais para redução da alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços). “Esse esquema começou quando o Zeca do PT (deputado federal, José Orcírio Miranda dos Santos) foi eleito para governo, no início de 2000, por aí. Começou com ele esse esquema conosco de acerto de pagamento de propina em troca de redução de pagamento de ICMS no Estado”, afirmou.
Wesley ressalta que na época o acerto era feito com o seu irmão e também proprietário da JBS, Joesley Batista. “Começou com o Joesley. Em 2003 foi acertado 20% de benefício de redução de ICMS em contrapartida a pagamento de propina. Como esse fato é de 2003, nós não temos mais os registros disso, de quanto foi pago de propina, nem a forma. Só o registro de que era 20% em cima do benefício”. Mas ele confirma que Zeca teria acertado o repasse de R$ 3 milhões na campanha de deputado federal, em 2010. Ele teria recebido R$ 1 milhão em doação oficial e R$ 2 milhões em dinheiro em espécie.
No depoimento, Wesley conta que o esquema continuou apesar da sucessão estadual. “Passou do Zeca do PT e aí foi pro Puccinelli (PMDB). Ele ficou oito anos como governador. O Joesley também nesse período tratava com o próprio governador e com a pessoa que operacionalizava todos os acertos pro governador Puccinelli, uma pessoa por nome de Ivanildo Miranda. Ele que fazia toda a interlocução, desde o acerto das contas ao recebimento, a tudo. Ele que era o operador do então governador André Puccinelli”, declarou.
O delator revelou que conheceu apenas Azambuja. “Tudo isso aqui quem operacionalizava era o Boni (Valdir Aparecido Boni, diretor de tributos da JBS). Com o Zeca era o Joesley que tratava. Eu não conheço ele, nunca estive com ele. Com o Puccinelli também era o Joesley que tratava. E o Boni era quem operacionalizava tudo. Já no governo atual, do governador Reinaldo Azambuja aí já foi eu que passei a tratar”.
ACUSADOS NEGAM ENVOLVIMENTO
Os três últimos governadores mencionados na delação de Wesley Batista negaram todos os fatos em que tiveram o nome envolvido. Citado como responsável por criar o sistema de propina em troca de benefícios fiscais para a JBS, o deputado federal José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, divulgou uma nota afirmando não ter “o menor temor da alardeada delação dos executivos do grupo”. Com Correio do Estado

