
Orange é uma cidade de múltiplas cores que abriga um teatro romano muito bem conservado
Ainda atordoada com voo, trem, táxi, fuso horário, eu sabia que precisaria dormir bem, pois no dia seguinte começaria a minha viagem de bicicleta pela Provença, no sul da França. A locomoção propriamente dita começou no dia anterior, quando parti de São Paulo rumo a Paris. Depois de mais duas horas de espera no aeroporto Charles de Gaulle, voei para Marselha. De lá, trem para Orange, a pequena cidade de onde começaria. Seriam quatro dias pedalando cerca de 250 km, passando por cidades como Arles, Avignon, Saint Rémy, Tarascon e algumas outras surpresas.
Ainda atordoada com voo, trem, táxi, fuso horário, eu sabia que precisaria dormir bem, pois no dia seguinte começaria a minha viagem de bicicleta pela Provença, no sul da França. A locomoção propriamente dita começou no dia anterior, quando parti de São Paulo rumo a Paris. Depois de mais duas horas de espera no aeroporto Charles de Gaulle, voei para Marselha. De lá, trem para Orange, a pequena cidade de onde começaria. Seriam quatro dias pedalando cerca de 250 km, passando por cidades como Arles, Avignon, Saint Rémy, Tarascon e algumas outras surpresas.
E depois, o tão esperado jantar. Entrada, prato principal e sobremesa. Tudo isso em cerca de 1h30. Sem pressa, com cuidado especial na apresentação e um sabor delicado, mas ao mesmo tempo marcante. Todas as noites eu comia impressionantemente bem. E voltava para o hotel pronta para dormir e acordar cedo, pois no dia seguinte teria mais.
Um esclarecimento: o roteiro que fiz pode ser percorrido de forma independente. Leva-se a bicicleta, alforjes, procura-se um mapa detalhado, reservam-se os hotéis, etc. Optei por comprar um pacote autoguiado. Ou seja, uma empresa forneceu a bicicleta e me passou o roteiro detalhado. Os hotéis, o transporte da bagagem de uma cidade para outra e café da manhã e jantares estavam incluídos no preço. Há roteiros nesse mesmo esquema por toda a Europa oferecidos por várias empresas.
2º dia – Avignon – Saint Remy – Baux de Provence – Arles (64 km)
O segundo dia foi o único em que tive de encarar uma subida de verdade. E foi o mais bonito. De Avignon parti para Saint Remy. A cidade é uma belezinha e passei uma boa meia hora caminhando por suas ruazinhas. Em seguida, fiz meu lanche com baguete, queijo e nectarina. Em seguida, tinha duas opções: caminho mais plano e outro com uma boa subida, que me conduziria à pequena (e imperdível) Baux de Provence. Subamos, pois. Não me arrependi. Certamente foi o dia mais rico de pedal. Além da bela – e não tão inclemente – subida, o que me esperava lá em cima era surpreendente. Ainda antes da entrada da cidade há a uma espécie de caverna artificial conhecida como Cathedral d´images. Lá dentro, no escuro, é projetada a obra de Picasso em paredes inteiras acompanhada de uma trilha sonora composta especialmente para o espetáculo. Ainda maravilhada com Picasso, subo – sim ainda restava subida – até a cidadezinha construída ao redor do castelo.
Visita e vista completadas, é hora de começar a descer. Destino final: Arles, uma das cidades mais procuradas pelos turistas na região. E não é de hoje: celtas, gregos, romanos, cristãos… todos estiveram por lá. E alguns dos “indícios” viraram patrimônio da humanidade, como o teatro e o anfiteatro romanos e a catedral e o claustro de Saint-Trophime. Mas além desses pontos, vale caminhar pelos becos, descobrir as janelas, as placas, as casas de pedras. Afinal, quem vai atrás de grandes monumentos, por vezes perde a cor própria da cidade. E por falar em cores, Arles também é conhecida por ter abrigado o pintor Vincent Van Gogh entre 1888 e 1889. Algumas das suas obras mais conhecidas foram pintadas na cidade. Mas foi lá também que ele cortou a própria orelha.
3º dia – Região de Camargo – (65 km)
No dia seguinte, o percurso seria circular: eu iria conhecer a região de Camargo e voltaria para Arles. Como sempre saí cedo e rodei no plano, no plano, no plano até… que em menos de duas horas já tinha chegado ao ponto do retorno. Ainda rodei um pouco em uma estradinha de terra – pouco recomendada ao meu pneu fino e liso – e voltei. As atrações do dia eram algumas cores interessantes e o mar.
Mas voltei cedo e pude passear por Arles com calma. É quase assustador pensar que há quase 2000 anos até 20 mil pessoas se acotovelavam para assistir a gladiadores se matando no imponente anfiteatro. Bem mais alentador é pensar que ainda antes disso os habitantes assistiam a espetáculos teatrais.
4º dia – Arles – Tarascon (64 km)
O quarto e último dia de pedal foi o que mais tive problemas com as indicações do roteiro. Pedalar, ler o itinerário, olhar o velocímetro e continuar pedalando exige boa dose de concentração, por vezes perdida ao observar a paisagem ou simplesmente pensar na vida, confesso. E lá estava eu em uma estrada de terra com pedras. Acostumada a andar em trilhas com bicicletas próprias para isso, eu tinha medo que o pneu fininho não fosse aguentar o tranco. Ele aguentou bem mais do que estava previsto.
Confundi uma indicação, entrei errado à esquerda e rodei em uma trilha cada vez mais fechada e repleta de pedras. Quando percebi que realmente não poderia ser lá, voltei. Parei para comer uma fruta e pensar nas alternativas. Foi quando um casal que seguia o mesmo roteiro que eu chegou. “É só seguir direto”, me garantiu. Eu o segui até a próxima cidade, Bellegarde, e de lá pedalei – decidida a não me perder mais – até Tarascon, meu último pouso na Provença. Ainda cheguei cedo para passear na vizinha Beaucaire, importante centro comercial no século 18.
Tarascon abriga o imponente Castelo do rei René, que já foi símbolo do poder da cidade. Hoje ela tenta mostrar-se mais ao turismo e tem investido em tornar suas ruas e fachadas mais charmosas, investindo em restaurações. De fato, uma caminhada no centro revela um ambiente tão acolhedor como tantos outros pelo caminho. Uma deliciosa forma de terminar os 250 quilômetros que rodei em quatro dias pela Provença.
COMO CHEGAR LÁ
Viajei pela Eurobike (www.eurobike.at), empresa austríaca que oferece diversos roteiros pela Europa e pelo mundo. Representante no Brasil: Steffen.Ohnemueller@gmx.net / (11) 5092-6312
Há diversas opções de empresas que oferecem roteiros autoguiados na Europa, França e, especificamente, Provença. Alguns exemplos:
Rando Vélo (Biking France)
www.randovelo.fr/randovelo
France à vélo
www.franceavelo.com
Randonnée Tours
www.randonneetours.com
Discover France
www.discoverfrance.com/index.html

