As temperaturas, o nível dos mares e as emissões de gases do efeito estufa atingiram novos recordes no ano passado, tornando 2015 o pior ano na história moderna para uma série de indicadores-chave, revela nesta terça-feira um relatório internacional.
O relatório anual sobre o estado do clima (“State of the Climate”) pinta um quadro sombrio da Terra em um documento de 300 páginas no qual 450 cientistas participaram.

A tendência de seca segue e, na Índia, a falta de chuvas castiga 330 milhões
“Vários indicadores, tais como as temperaturas na terra, na superfície dos oceanos e as emissões de gases do efeito estufa bateram os recordes registrados há apenas um ano”, advertem os especialistas.
“A maioria dos indicadores de mudanças climáticas continua a apresentar uma tendência de aquecimento global.”
O planeta registrou recordes de calor pelo segundo ano consecutivo, segundo o relatório.
O fenômeno climático El Niño, particularmente forte em 2015, “exacerbou” a tendência de superaquecimento no ano passado, acrescentam os cientistas.
“Sob o efeito combinado do El Niño e uma tendência de longo prazo para o aquecimento, a Terra registrou recordes de calor pelo segundo ano consecutivo.”
Chuva de recordes
As concentrações de três dos principais gases que provocam o efeito estufa, dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso, “atingiram novos recordes em 2015”, indica o documento, que é baseado em dezenas de milhares de dados extraídos de várias fontes independentes.
No Havaí, no vulcão Mauna Loa, a concentração de dióxido de carbono registrou “o maior aumento desde o início da coleta de dados, há 50 anos”, o que permitiu superar pela primeira vez a barra simbólica de 400 partes por milhão (ppm), a 400,8 ppm.
Em todo o planeta, o CO2 se aproximou deste limite em 2015, chegando a 399,4 ppm, um aumento de 2,2 ppm em relação a 2014.
Os oceanos atingiram seu nível mais alto, com cerca de 70 milímetros mais do que a média registrada em 1993.
O nível dos oceanos sobe gradualmente na Terra, com um avanço de cerca de 3,3 milímetros por ano, mas o aumento é mais rápido em determinados pontos do Pacífico e do Oceano Índico.
Este fenômeno poderia acelerar nas próximas décadas, à medida que as geleiras e icebergs derretem, ameaçando as vidas de milhões de habitantes das zonas costeiras.
O ano de 2015 também marcou uma temporada de chuvas mais abundantes do que a média, provocando graves inundações.
Secas severas também afetaram superfícies quase duas vezes maiores em 2015 do que no ano anterior (14% versus 8% em 2014).

