As seis maiores centrais sindicais do país afirmaram ontem (26) que a crise econômica não deve ser “paga” pelos trabalhadores, em documento no qual assumiram também o compromisso de luta pelos direitos trabalhistas. “O governo não tem tomado medidas concretas para a melhora da crise. A taxa de juros tem que cair para a economia andar. Isso é um erro do governo”, afirmou o presidente da Força Sindical, Paulinho da Força, deputado pelo Solidariedade. “Não estamos dispostos a pagar sozinhos (pela crise). Essa é a nossa posição”, complementou.
No documento, as centrais -CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB e Nova Central- rejeitam o que consideram perda de conquistas da classe trabalhadora. No dia 16 de agosto, as entidades realizarão o Dia Nacional de Lutas.

Centrais: ‘crise não tem de ser paga pelos trabalhadores’
A reunião de ontem foi o primeiro encontro público que contou com a participação da CUT desde que o processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, foi instaurado. O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que o movimento é um recado ao Brasil de que os trabalhadores não aceitam que seus direitos sejam diminuídos. “Estamos preocupados com a postura do ministro (Eliseu) Padilha, que tem dito que a CLT é um atraso. Por isso, esse recado ao Brasil”, disse Freitas durante a Assembleia Nacional dos Trabalhadores, em São Paulo.
Segundo Freitas, se o governo insistir nas propostas que estão sendo publicadas pela imprensa relacionadas às reformas da Previdência e trabalhista, o Brasil pode enfrentar uma greve geral. “A greve não acontece por vontade do sindicalista ou motivação política. Vai ocorrer se retirarem os direitos conquistados há muitos anos na Previdência e na CLT”, afirmou.
O documento apresentado ontem (26) é uma repetição do “compromisso para o desenvolvimento” entregue ao governo em dezembro passado. Nele, há propostas como a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem diminuição de salários, e a criação de câmaras para resolver questões específicas de setores como o automobilístico e da construção. As centrais propuseram ainda a redução dos juros para aquecer a economia.
Paulinho da Força – que está na base aliada do governo do presidente interino, Michel Temer – afirmou ainda que as propostas para a reforma trabalhista não foram discutidas com nenhuma central.
“Só temos escutado pela imprensa e muito me parece que essa atitude é para jogar para a plateia. O governo sabe que não pode mudar a CLT da noite para o dia. Demanda negociações e não fomos procurados para discutir”, ressaltou.

