O projeto “Água limpa é a onda” surgiu como uma forma de chamar atenção para a poluição de São Conrado, no Rio de Janeiro. Desde 2008, a praia está imprópria para banho por conta do alto índice de coliformes fecais e do despejo irregular de esgoto. A iniciativa, que conta com a parceria de diversas entidades e organizações não-governamentais, ganhou um reforço de peso: Carlos Burle.
Acostumado a surfar no lixo do local – certa vez, ele, Maya Gabeira e Pedro Scooby encontraram um cone no meio do mar -, o big rider estrela o vídeo da campanha. Depois de surfar um tubo de plástico, ele aparece coberto de sujeira para ilustrar a questão. A ideia é promover a união da população através de um manifesto para exigir comprometimento e transparência do poder público em solucionar o problema.
– Foram horas a fio trabalhando com muito amor e carinho. É uma mistura de emoções. Graças a Deus, estamos fazendo alguma coisa. É bacana ver a energia das pessoas se unindo, infelizmente, por uma causa não positiva. Surfei onda de plástico e fiquei todo sujo. A campanha é um grito de alerta para a poluição das águas e se propõe a trabalhar em conjunto, buscando medidas efetivas que resultem em melhorias para as águas da nossa cidade, a começar pela praia de São Conrado.
A intenção do projeto é tornar a praia limpa e com condições para banho, lazer e prática de esportes. Isso passa por um processo que envolve órgãos governamentais. Estamos todos juntos, somos todos moradores de um só lugar, o Planeta Terra. Somos todos iguais. Ao invés de nos desesperarmos por não mudar as grandes coisas do mundo, vamos tentar uma mudança local. Dando certo, levamos a semente para outras praias, multiplicando a ideia. É um movimento social. E São Conrado é o primeiro grande passo – contou Burle.
No canto esquerdo de São Conrado, quebra uma das melhores ondas do Rio de Janeiro, uma esquerda forte e tubular, xodó dos surfistas de todo o mundo. O local receberia este ano o palco alternativo da etapa brasileira do Circuito Mundial, no entanto, a péssima qualidade da água impediu que os organizadores realizassem o desejo dos competidores. A competição só poderá acontecer no local após o fim das obras do programa “Sena Limpa São Conrado”, previsto para o primeiro trimestre de 2016. O projeto visa limpar as águas através da modernização do sistema de esgoto sanitário da Bacia de São Conrado.
globoesporte


