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Lideranças indígenas prometem enviar mais de 20 mil guerreiros para apoiar conflito em Antônio João

por Redacao
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Confronto entre índios e produtores rurais durante o último final de semana no município de Antônio João (MS), resultou na morte de um indígena e o clima que já era tenso na localidade pode se agravar nas próximas horas. Uma carta que circula na internet, resultado de uma assembleia do povo Terena motivou novos apoios ao movimento.

Imagens publicadas na página do Facebook da comunidade indígena Aty Guasu

Imagens publicadas na página do Facebook da comunidade indígena Aty Guasu

Os povos Guarani-Kaiowá prometeram enviar mais de 20 mil guerreiros (as) para apoiar a RESISTÊNCIA DE TEKOHA ÑANDERU MARANGATU-ANTONIO JOÃO. Segundo a nota, frente ao ataque terrorista dos fazendeiros e políticos anti-indígenas, todos os povos indígenas se preparam para lutar e enfrentar os pistoleiros/fazendeiros cruéis.

SEGUE A NOTA DE GUERREIROS DE POVO TERENA:

Conselho do Povo Terena
Hánaiti Ho’únevo Têrenoe
Grande Assembleia do Povo Terena

Nós lideranças Terena estamos de luto juntamente com o povo Kaiowá e Guarani. A Terra IndígenaÑande Rú Marangatú é território sagrado que há muito tempo vem sendo palco de matança de lideranças indígenas – MARÇAL DE SOUZA TUPÃ’I em 25 de novembro de 1983; DORVALINO ROCHA em 24 de dezembro de 2005 e SIMIÃO VILHALVA em 29 de agosto de 2015.

Ñande Rú Marangatú é território tradicional demarcado e homologado e o povo Kaiowá não está na posse de sua terra por conta de sistemáticos recursos interpostos nas instâncias judiciais pelos ruralistas que estão acostumados com a impunidade. Em 2005 o Supremo Tribunal Federal liminarmente suspendeu os efeitos do decreto de homologação, e há 10 anos esta decisão liminar “paira”, sendo que o ministro Gilmar Mendes propositadamente não coloca o processo para julgamento.

Nós lideranças Terena reafirmamos que não iremos recuar e continuaremos lutando até o último hectare de território tradicional que nos pertence. Este Estado bandido nega aos povos indígenas o nosso bem maior – nossa TERRA MÃE – e tenta vender ao mundo a falsa realidade de que estamos bem, promovendo jogos indígenas enquanto nossas crianças passam fome e nossos líderes são mortos.

Repudiamos e denunciamos os parlamentares senador Waldemir Moka (PMDB), deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM) e deputada federal Teresa Cristina (PSB), que ao invés de pautarem-se pelo princípio da imparcialidade e legalidade, planejaram e executaram o ataque a comunidade indígena resultando na morte de uma liderança e várias mulheres e crianças feridas.

Exigimos do Ministério da Justiça, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal rigor na apuração dos fatos e total empenho para que a investigação não fique a cargo do “poder político local” submetido aos ruralistas.

Repudiamos essa “burguesia colonizada” de Mato Grosso do Sul que juntamente com os ruralistas noticiam de forma comemorativa a morte de nossa liderança. Que se esquecem que antes de ganharmos o rótulo de “índios” e “não índios” somos seres humanos filho de Itukó’oviti.

Por fim, reafirmamos que Ñande Rú Marangatú é questão de honra para os povos indígenas de Mato Grosso do Sul e por isso não iremos recuar!
Conclamamos todos os guerreiros Terenas a se juntarem aos Guarani e Kaiowá para concluir a autodemarcação desse Tekohá!

E decidimos: Se o governo federal não punir os executantes e mandantes desse homicídio, nósTERENA, vamos dar uma resposta à altura para os ruralistas e iniciar imediatamente a autodemarcação de TODO NOSSO TERRITÓRIO!!!

Povo Terena,
Povo que se levanta!

Terra Indígena Buriti
Terra Indígena Cachoeirinha
Terra Indígena Taunay-Ipegue
Terra Indígena Nioaque
Terra Indígena Lalima
Terra Indígena Pilad Rebuá

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