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Sindicatos e entidades ligadas ao PT, como a Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), fazem um manifesto diferente na manhã desta sexta-feira em Campo Grande.
Ao contrário da mobilização de domingo (15) pelo fim da corrupção no Brasil e pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, os petistas defendem a permanência da correligionária no poder.
Dilma, correligionários e aliados são alvo de denúncias de corrupção na Petrobras, de onde foram desviados quantias de monta que culminaram com a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Congresso Nacional.
As acusações vieram à tona depois de fortes indícios de desvios de verbas públicas investigados pela Operação Laja Jato da Polícia Federal.
Segundo o jornal Correio do Estado, cerca de 1,2 mil pessoas estão reunidas na manhã desta sexta-feira (13), na Praça do Rádio, em Campo Grande, no Ato em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores.
A estimativa de público é da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). Já os organizadores esperam a presença de seis mil pessoas no evento, previsto para terminar ao meio-dia.
Manifestantes alegam que tirar Dilma da presidência é ferir o direito dos trabalhadores, que a elegeram. Eles se dizem a favor da reforma política e também defendem a participação igualitária da mulher na política.
Ao saíram da praça, os manifestantes percorrerão a Avenida Afonso Pena, ruas 14 de Julho, Cândido Mariano, Barão do Rio Branco e retornam para a Praça do Rádio.
Participam do ato os deputados estaduais Pedro Kemp, Amarildo Cruz, João Grandão e vereador Airton Araújo, todos do PT, além de sindicalistas.
Deputado Pedro Kemp defendeu a privatização da Petrobras e disse que os culpados pelo escândalo envolvendo a estatal devem ser punidos sim, inclusive os do PT.
ENTENDA A OPERAÇÃO LAVA JATO
Operação Lava Jatonota é o nome de uma investigação realizada pela Polícia Federal do Brasil, cuja deflagração da fase ostensiva foi iniciada em 17 de março de 2014, com o cumprimento de mais de uma centena de mandados de busca e apreensão, prisões temporária, preventivas e conduções coercitivas, tendo como objetivo apurar um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar mais de 10 bilhões de reais.
É considerado pela Polícia Federal, como a maior investigação de corrupção da história do País.
A operação recebeu esse nome devido ao uso de uma rede de lavanderias e postos de combustíveis pela quadrilha para movimentar os valores de origem ilícita. A denuncia inicial partiu do empresário Hermes Magnus, em 2008, quando o grupo de acusados tentou lavar dinheiro na sua empresa Dunel Indústria e Comércio, fabricante de componentes eletrônicos.
A partir da denúncia inicial, foram empreendidas diligências investigativas que culminaram com a identificação de quatro grandes grupos criminosos, chefiados por Carlos Habib Chater, Alberto Youssef, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Raul Henrique Srour.
No curso da investigação identificou-se ainda que o doleiro Alberto Youssef havia adquirido um veículo Land Rover Evoque para Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras. Foram ainda colhidos indícios iniciais de pagamentos indevidos realizados por empresas vencedoras de contratos na RNEST (Refinaria Abreu e Lima) para o doleiro Alberto Youssef.
Até abril de 2014, a operação já contava com 46 pessoas indiciadas pelos crimes de formação de organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro nacional, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro e 30 pessoas presas, dentre elas o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa.
Em junho de 2014, o ex-diretor negou participação no esquema criminoso,8 porém, após a Polícia Federal realizar buscas em empresas da esposa, filhas e genros e encontrar indícios que incriminavam a ele e toda sua família , Paulo Roberto Costa decidiu colaborar com o Ministério Público Federal valendo-se do recurso da delação premiada, podendo obter dessa forma a redução de sua pena e a possibilidade de cumprimento da mesma em regime domiciliar e o pagamento de uma multa.
Em janeiro de 2015, o Ministério Público Federal lançou um portal que reúne uma série de informações, como número de pessoas sob investigação, quantidade de procedimentos instaurados e a íntegra das denúncias apresentadas pelo MPF.
A página foi produzida pela força-tarefa que cuida da Operação, em parceria com a Secretaria de Comunicação da PRG (Procuradoria-Geral da República).
O líder do PT na Câmara, Sibá Machado, pediu no dia 11 de fevereiro de 2015 à Procuradoria-Geral da República o aprofundamento das investigações na operação, depois que Pedro Barusco Filho relatou que o esquema de propina iniciou em 1997, no Governo FHC.
Sobre as declarações de Barusco, Fernando Henrique Cardoso indagou que deseja que a Justiça vá até o fim na investigação da Lava Jato.
Paulo Roberto Costa afirmou que a escolha dos membros da diretoria da estatal não era por capacidade técnica e sim por indicação política e que era necessário “dar algo em troca” para ocupar o alto escalão da empresa.
Em março, o ministro Teori Zavascki autorizou a abertura de inquérito, com base em pedido da Procuradoria Geral da República para investigar 49 pessoas – das quais 47 políticos – suspeitos de participação no esquema de corrupção na Petrobras revelado pela Operação Lava Jato.
Entre os nomes que serão investigados, 32 políticos são ou foram membros do PP, 7 são do PMDB, 6 do PT, 1 do PSDB e 1 do PTB.15 16
Nos 190 termos de depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, Dilma Rousseff foi citada onze vezes. Nas declarações consta que a campanha presidencial de Rousseff em 2010 recebeu R$ 2 milhões do esquema de propina da Petrobras.
Nas eleições presidenciais de 2014, as empreiteiras investigadas pela operação Lava Jato doaram, juntas, quase R$ 98,8 milhões aos dois candidatos à Presidência, Aécio Neves e Dilma Rousseff.
As investigações contra o senador Aécio Neves foram arquivadas em março de 2015 por determinação do ministro Teori Zavascki, juntamente arquivadas com as investigações contra o ex-deputado Henrique Eduardo Alves.
