O caso envolvendo o lutador Anderson Silva, flagrado em exames antidoping realizados neste ano, vai mexer profundamente com o UFC. O principal circuito de MMA do planeta prometeu que vai intensificar o combate ao consumo de substâncias ilícitas e que um novo protocolo será adotado a partir de 1º de julho deste ano, com ainda mais exames fora do período de competição. A postura mais rígida, contudo, não impediu a cúpula do evento de tratar com cautela a situação do brasileiro.
Veja, abaixo, os principais pontos do pronunciamento de Dana White e Lorenzo Ferttita, presidente e dono do UFC, respectivamente:
Caso Anderson Silva
O UFC não quis se pronunciar sobre o duplo doping de Anderson Silva, flagrado com substâncias anabólicas antes e depois da luta contra Nick Diaz, em 31 de janeiro. Embora já esteja suspenso preventivamente, o brasileiro ainda não foi condenado e terá oportunidade de se defender. Questionado, Dana White explicou que como há um processo em curso na Comissão Atlética de Nevada, a franquia só irá se pronunciar sobre o assunto depois que o caso for encerrado.
No início do pronunciamento, os manda-chuvas do evento ressaltaram que é “decepcionante” ver grandes campeões serem pegos no controle antidoping. Também admitiram que o caso de Anderson Silva apressou as novas regras antidoping e reforça o comprometimento do UFC no combate ao doping. “Quando um cara como ele é pego, isso manda uma mensagem. Choca toda a comunidade do MMA. Isso me chocou, ficamos assustados e arrasados, mas iremos cavar agora”, disse Dana White, enquanto Fertitta adotou um discurso mais respeitoso.
“Anderson ainda é um grande campeão e um grande atleta. Ele teve uma grande carreira e deverá se manter nesse padrão, e isso independe do que a comissão atlética vai decidir”, disse o homem do dinheiro do UFC.
Novo sistema antidoping
Hoje, o controle é feito pela Comissão Atlética de Nevada, que a partir de meados de 2013 passou a fazer exames fora do período de competição nos lutadores após um investimento de US$ 500 mil por parte do UFC. Esses testes dificultam a vida de quem usa drogas para aumento de performance, pois atrapalham os controles de ciclos que costumam ser feitos.
Para se ter uma ideia, segundo dados do próprio UFC, 900 antidopings foram realizados em dias de luta dos 79 eventos que ocorreram entre 2013 e 2014. Nesses exames, 22 atletas testaram positivo para alguma substância, o que representa só 2,4% do total. No mesmo período, a comissão promoveu 19 exames fora do período de competição, que derem um resultado considerado assustador pela franquia: cinco lutadores, ou 26,3% do total, foram pegos em exames do tipo, acendendo o alerta para o UFC. “Isso é alarmante para nós”, resumiu Fertitta.
A franquia promete manter a parceria com a Comissão Atlética de Nevada, mas fala em investir milhões em uma parceria com uma agência privada que siga as regras da Wada (Agência Mundial de Controle Antidopagem, na sigla em inglês). Essa empresa, que ainda não fechou com o UFC, receberia para examinar os lutadores da franquia em todo o mundo, de surpresa, como já fazem outros esportes. A ideia é que isso entre em vigor a partir de julho deste ano.
“O UFC defenderá que cada lutador seja testado no dia da competição. São 41 eventos por ano, o que dará 984 exames. Se houver mais lutas por card, vamos ajustar. Também haverá mais testes fora da competição. Vamos levar tempo para ajustar isso devido aos contratos, mas haverá verificação dupla em eventos de luta por título”, avisou Dana White, presidente do UFC.
Os problemas do novo sistema
Por enquanto, o que o UFC anunciou foi a intenção de endurecer o jogo contra o doping. Só que esse novo sistema ainda depende de algumas negociações para entrar em vigor. O maior desafio é equacionar problemas legais e econômicos para colocar o projeto em prática.
“Nós não somos como algumas grandes ligas, que têm uma relação de funcionário e empregador com os atletas. Eles lutam uma ou duas vezes por ano e passam o resto do tempo treinando, sem esse vínculo. Também temos um enorme desafio de logística. Nós não somos como a NFL, em que você sabe que o Denver Broncos, por exemplo, está com o elenco todo treinando no mesmo lugar. Os lutadores do UFC estão espalhados em 45 países em todo o mundo, e nós temos de descobrir um jeito de fazer isso”, disse Lorenzo Fertitta.
“Nós ouvíamos que era impossível sair de Las Vegas e negociar para ter o MMA em outros países. Nós ouvíamos que era impossível colocar o UFC na TV. Há um ano nós dissemos que íamos contra as drogas e fomos. Se você estiver usando drogas, você vai ser pego”, disse Dana White, em tom de desafio.
Punição mais dura
No início de 2015, a Wada mudou sua política de punição e estabeleceu pena de quatro anos de suspensão para quem for pego pela primeira vez. Com sua postura de endurecimento do controle antidoping, o UFC se posicionou a favor da alteração, em um primeiro momento. A franquia entende que precisa debater a questão internamente, mas admite um consenso em torno da necessidade de se aumentar as penas praticadas atualmente.
“Pode ser uma pena de dois ou três anos, temos de discutir, mas sabemos que como está não pode ficar”, disse Fertitta, citando que a suspensão atual gira em torno de 9 meses a um ano. “Hoje o lutador que quer se dopar avalia os riscos de ganhar o dinheiro e arrisca. Com uma pena de dois ou três anos, no UFC, ele pensaria melhor, porque isso pode custar a carreira de alguém com 28 ou 29 anos”, completou Dana White.
Ataque ao beisebol e urgência
Durante a entrevista coletiva, os cartolas do UFC foram questionados sobre os exemplos que outras ligas já deram no combate ao doping, como o beisebol. Dana White reagiu duramente, atacando o outro esporte e deixando claro a urgência necessária.
“Nós estamos bem mais rápido que o beisebol. Eles estão batendo na bola com um bastão. Quem se importa? Nós temos dois caras lutando um contra o outro dentro de um octógono. Se um deles usa drogas, isso é muito perigoso. Quem não consegue lutar com suas habilidades naturais não pertence a esse lugar”, disse White.
Rory vs Lawler
O UFC anunciou que Rory MacDonald ganhará uma disputa de cinturão dos meio-médios depois de Hector Lombard ter sido pego com anabolizantes. MacDonald agora enfrentará Robbie Lawler, atual detentor do título da categoria. O combate ocorrerá no UFC 189, em 11 de julho, em Las Vegas, mesma data da disputa entre o brasileiro José Aldo e o irlandês Connor McGregor, válida pelo cinturão dos pesos pena.
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