Saem de cena a pista cheia, as filas na porta e a multidão em volta do bar. Entram o carro de som, a xaranga e o banheiro químico. Com público fiel e experiência na farra, algumas das festas mais famosas da cidade, que acontecem regularmente em lugares fixos ou rotativos, começaram a conquistar também o seu espaço no Carnaval.
Assim como cresce anualmente o próprio evento de rua, que, segundo a Prefeitura de São Paulo, passou de 60 blocos cadastrados em 2013 para 200 neste ano, aumenta também o número de pessoas interessadas em participar da festa. Mas a tarefa não é simples.
Para Rodrigo Faria, organizador da Festa Odara, é mais fácil organizar um ano de festas do que um único bloco de Carnaval. “Só de ter que lidar com os moradores, principalmente com os que não querem bloco na rua deles, já é um trabalhão. É bem diferente do que fazer uma festa em um espaço fechado.”
Realização coletiva
Quem se dispõe a organizar um bloco deve se inscrever ainda no ano anterior na Secretaria Municipal de Cultura. A prefeitura disponibiliza banheiros químicos, segurança e fechamento das ruas para os blocos que estiverem incluídos no programa oficial.
Uma boa saída parece ser aproveitar da experiência na produção das festas para deixar o público preparado para pular o carnaval. Fabio Hirata, que organiza o Paulista Com Farota, conta que, além da infraestrutura, a ajuda dos foliões também é importante. “O mais legal do bloco é que o público não vai para consumir, ele vai para participar, para ajudar a fazer o evento acontecer”, diz.
Organizadora da festa Gambiarra há sete anos, Anna Cecília Junqueira, explica que, para uma festa com público fiel, colocá-la na rua durante o Carnaval é quase uma obrigação. “Como as festas são pagas, fazer um bloco na rua, aberto ao público é uma retribuição para os frequentadores e uma realização para nós mesmos”, diz.
O saldo tem se mostrado positivo. As expectativas de público dos blocos vão de cinco a 15 mil pessoas. “O prazer de estar fazendo isso é diferente do prazer de fazer uma festa”, diz Faria, da Odara. “É outra realidade, você começa a fazer faz parte do patrimônio cultural da cidade”, completa.
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