
Predador da natureza brasileira, a onça-pintada tem sua população restrita principalmente ao Pantanal e à Amazônia (Foto: Projeto Onçafari)
Do agito das pistas à calmaria do Pantanal. A vida de Mário Haberfeld mudou bastante nos últimos anos. Depois de se aposentar relativamente cedo das pistas, aos 32 anos, o agora ex-piloto de 38 se dedica a uma atividade bem diferente daquela que o tornou famoso mundo afora: toca uma ONG que tem como objetivo a preservação das onças-pintadas na região do Pantanal . “Você tem que achar uma outra coisa que gosta de fazer para repor aquilo e gastar a sua energia com esse novo desafio”, conta ao GRANDE PRÊMIO o fundador do Projeto Onçafari, que tem sua base no Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda (MS).
“Foi a primeira vez na vida que ganhava um bom salário, uma boa equipe. Mas, olhando para trás, foi um erro. Era bom para ninguém. O carro era ruim, não tinha treino e os caras corriam dois ou três anos para ganhar o campeonato”, avalia. Já sem o apoio da McLaren, disputou mais três temporadas da F3000. Neste meio tempo, teve a oportunidade de testar com equipes de F1 como a própria McLaren, a Stewart, a Benetton e a Jordan antes de voltar seu foco para os Estados Unidos. Lá, encontrou a Champ Car, na qual competiu em 2003, pela equipe Contest, e em 2004, com a Walker.
“Aos 12 anos, meu pai me levou para a África, e fiz uma viagem de 15 dias na caçamba de um caminhão na Tanzânia. Quando comecei a pensar que queria parar de correr, já sabia que queria fazer alguma coisa relacionada a conservação. Quando parei mesmo, tirei dois anos sabáticos e fiquei viajando o mundo inteiro para conhecer os projetos que são feitos. E aprendi que o jeito mais fácil é agregando valor aos bichos”, relata.
Haberfeld diz que a principal dificuldade para operar a ONG é a capacitação da equipe. “É um negócio novo no Brasil, não tem ninguém treinado para habituar a onça.” Com essa finalidade, há um intercâmbio com organizações semelhantes de outros países.
