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Tradicional programa de entrevistas da TV Cultura de São Paulo, o Roda Viva experimentou um novo formato na noite de segunda-feira (27).
Ao invés de uma personalidade no centro da arena, o programa reuniu jornalistas para debater, ao vivo, a campanha presidencial e o resultado das urnas.
Um momento de confronto de opiniões aconteceu quando foram citados os boatos sobre a vida íntima de Dilma Rousseff e Aécio Neves.
O apresentador Augusto Nunes e o cientista político Aldo Fornazieri divergiram em relação ao uso político dos rumores em relação à privacidade dos candidatos.
Nunes alegou ser inviável uma conversa entre PT e PSDB pela propagada ‘união pelo país’ em razão das ofensas pessoais feitas durante a corrida eleitoral.
“Quando você faz ataques à honra de uma pessoa, e isso o PT repetiu nesta campanha e com uma intensidade que eu nunca vi… Porque apresentou a Marina (Silva) como fraca, despreparada; o Aécio como bêbado, agressor de mulher, drogado. Ultrapassaram todos os limites. Aí você chega e quer conversar com a pessoa, fica difícil”, disse o apresentador.
Aldo Fornazieri se manifestou contra a análise do mediador do programa: “Uma eleição não é um convite para jantar entre amigos. Eleição é embate, é ardil, é astúcia”.
Augusto Nunes fez sua réplica: “Você pode dizer tudo o que quiser de um candidato, desde que seja verdade. Sem provas você não pode dizer que alguém agride mulheres”.
Fornazieri respondeu que a imprensa havia apresentado provas e citou um texto do jornalista Juca Kfouri, postado em sua coluna no portal UOL, no qual ele relata uma suposta agressão do então governador Aécio Neves contra sua acompanhante, em uma festa.
Nunes disse que não havia fotos ou testemunhas que comprovassem o fato. Seguiu-se uma discussão sobre o episódio.
O apresentador então lançou uma provocação polêmica: “Se o Lula fosse adversário da Dilma e quisesse falar o que circula pela internet, ele colocaria em questão até preferências sexuais da Dilma. Isso vale?”.
O cientista político reagiu: “Eu acho que a conduta moral, seja do ponto de vista pessoal ou do ponto de vista social, vale. A conduta moral acaba tendo uma incidência na vida pública. O público, o eleitor, tem o direito de conhecer a personalidade do candidato”.
Augusto Nunes colocou mais lenha na fogueira: “Vale tudo? Então o Aécio poderia qualificar o Lula de bêbado?”.
O ‘duelo’ entre o apresentador e o debatedor continuou. Um condenando a exploração ‘eleitoreira’ dos boatos sobre a intimidade dos candidatos, e o outro defendendo o direito do cidadão saber detalhes da privacidade de quem pretende ser eleito.
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