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Candidatos em campanha são hábeis em driblar polêmicas. Geralmente sacam do colete respostas evasivas ou confusas. Com blá-blá-blá às vezes incompreensível, tentam manipular os interlocutores para não se comprometer.

O anfitrião do evento será Dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBBB e cardeal arcebispo de Aparecida
Temas explosivos como aborto, casamento gay e células-tronco são evitados a todo custo. Nos raros casos em que um candidato anuncia sua posição, procura não se aprofundar no assunto a fim de evitar contestações e fazer disso uma arma para os adversários.
Nos debates realizados na Band e no SBT, a maioria dos presidenciáveis pisou em ovos quando questionados sobre esses temas delicados. E eles têm razão em temer prejuízo à campanha e, consequentemente, perda de votos.
Veja o que aconteceu com Marina Silva após titubear sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Anunciou ser a favor, voltou atrás e agora tenta limpar sua barra dizendo ter sido mal interpretada.
No dia 16, um evento poderá deixar não apenas um, mas vários candidatos à Presidência na maior saia justa. É a data do debate presidencial na TV Aparecida, realizado em parceria com a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil).
O debate será retransmitido por outras mídias católicas, como emissoras de rádio, portais de notícias e redes sociais. Será a primeira vez que uma rede católica irá sabatinar os postulantes ao Palácio do Planalto.
A posição da igreja sobre interrupção de gravidez, união entre pessoas do mesmo sexo e manipulação de células embrionárias é conhecida.
Agora os líderes brasileiros do catolicismo — e boa parte dos fiéis, especialmente os indecisos em relação ao voto — querem conhecer a opinião definitiva dos candidatos à Presidência.
“Como católicos, como filhos de Deus, nós devemos dizer ao Brasil e a todos aqueles que desejam governar o Brasil, o que se espera de um homem ou de uma mulher pública”, anunciou Dom Vilsom Basso, Bispo de Caxias (MA), no TJ Aparecida.
Pelo visto os presidenciáveis não terão como fugir da raia. Imagine o clima de tensão entre assessores e marqueteiros. As respostas precisam ser bem ensaiadas, para não gerar um possível estrago na reta final da campanha.
Não é fácil ser ecumênico quando se anseia governar o Brasil. De um lado estão os evangélicos em alerta. Do outro, católicos atentos. E há a pressão por manter o estado laico, sem que a interferência de nenhuma ideologia religiosa na condução do país.
“A igreja acompanha a situação do povo e acompanha por onde caminha a política nacional. Por isso tem de se manifestar e não pode se omitir em um momento tão importante”, explicou Dom Severino Clasen, Bispo de Caçador (SC), em entrevista à TV Aparecida.
O debate será promovido pela cúpula da Igreja Católica no dia 16, ao vivo a partir das 21h30, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, que fica no complexo do Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista.
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