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As contratações de crédito feitas por assentados e micro e pequenos produtores rurais brasileiros por meio do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) devem crescer cerca de 7,5% no ano safra 2013/2014 frente ao 2012/2013, passando de R$ 18,6 bilhões para R$ 20 bilhões. A previsão foi feita ao Agrodebate pelo secretário nacional da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SFA/MDA), Valter Bianchini.

Produção de tomate em assentamento de Mato Grosso do Sul
Bianchini explicou que na primeira metade do ano safra, até dezembro de 2013, os agricultores familiares do país já haviam contratado R$ 12,5 bilhões, por meio de 1,1 milhão de contratos.
“Como na segunda parte do ano safra, o volume de contratos tem sido equivalente a 40% do total, projetamos que vamos ultrapassar a marca dos R$ 20 bilhões. Se houver demanda superior a esse valor vamos buscar ainda mais recursos”, assegura.
O secretário nacional da Agricultura Familiar diz que assentados e micro e pequenos produtores do país buscam, em sua maioria, o crédito principalmente para fazer investimentos em seus empreendimentos e dessa forma melhorar sua produtividade.
“Geralmente, o volume demandado para investimentos tem sido superior ao destinado para custeio”, comenta.
Entretanto, Bianchini relata que de um total de aproximadamente 4 milhões de agricultores familiares e assentados no Brasil, cerca de 1,5 milhão ainda têm dificuldade para acessar o crédito, por vários motivos, entre eles, a inadimplência em contratos anteriores e a falta de informações e orientação.
“Para aumentar a abrangência da concessão do crédito e a orientação ao produtor, está sendo criada uma agência nacional de assistência técnica e orientação rural.
Com mais informações e orientação, os agricultores familiares vão acessar com mais facilidade o crédito e participar de outras iniciativas que estimulam a produção e a geração de renda, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), o Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e o Pnpb (Programa Nacional de Produção do Biodiesel)”, explica.
Outro lado
O presidente da Fetagri/MS (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul), Valdinir Nobre de Oliveira, ao analisar a concessão de crédito para a agricultura familiar no país criticou os valores que são liberados e a dificuldade dos assentados, micro e pequenos produtores para acessá-lo.
Hoje quando uma família é assentada, recebe cerca de R$ 20 mil para estruturar sua produção no lote. Mas o valor é muito baixo, com esses recursos consegue produzir apenas para a subsistência da própria família.
Não tem produção para vender e pagar o financiamento, com isso, ocorre a inadimplência no pagamento, o que afasta essa família de outras linhas de crédito agrícola, aponta.
Oliveira ressaltou ainda que falta orientação para os produtores elaborarem projetos para a obtenção do crédito agrícola.
“Atualmente o número de entidades que oferece assistência é pequeno e o número de técnicos dessas entidades também. Com isso, o produtor não consegue elaborar um projeto dentro das exigências técnicas e não consegue recursos para viabilizá-lo”, afirma.
Em Mato Grosso do Sul, conforme dados da Fetagri/MS e da Superintendência Regional do Incra/MS (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), vivem 70 mil famílias de agricultores familiares, sendo que desse total, 30 mil são de assentados, em 179 assentamentos.
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