O sonho de abrir o próprio negócio e a vontade de abandonar de vez a criminalidade estão recebendo um reforço especial para o reeducando Ney Colman Ibanês, do Instituto Penal de Campo Grande. Ele e outros 18 internos do presídio estão participando do curso profissionalizante de pizzaiolo, ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).
Entre as receitas de massas e recheios, o detento garante que vê na oportunidade de se profissionalizar na área uma chance para, no futuro, abrir “um negócio para a família”. “Sempre me identifiquei com trabalhos na cozinha, e gosto do ambiente comercial das pizzarias, mas eu não sabia nada de pizzas. Agora, poderei trabalhar com algo que entendo”, ressalta.
Com 160 horas/aula, o curso acontece no IPCG de segunda a sexta-feira, no período vespertino. Segundo o instrutor do Senac, Claudinei dos Santos Lima, a qualificação envolve o aprendizado de preparo de massas, molhos, coberturas, recheios e bordas. Os alunos recebem ainda noções sobre higiene e manipulação de alimentos, ética e motivação, visão de mercado, turismo e hospitalidade, entre outros.
A capacitação de pizzaiolo também foi oferecida no Estabelecimento Penal de Corumbá, onde 30 custodiados foram capacitados. Segundo a direção da unidade prisional, para a participação no curso foi feita uma triagem envolvendo exigência de escolaridade mínima, bom comportamento e aptidão.
Pronatec
De acordo com a Divisão de Educação da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), responsável pela execução geral dos cursos do Pronatec em presídios, 19 unidades prisionais de MS estão inseridas no programa.
Além do Senac, as capacitações em estabelecimentos penais estão sendo ministradas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Os cursos acontecem nas áreas de: maquiador, manicure, viveiricultor, horticultor orgânico, aplicador de revestimento em cerâmica, pedreiro de alvenaria, eletricista e instalador predial de baixa tensão, pizzaiolo, auxiliar de padaria e confeitaria, desenhista de moda, gesseiro e torneiro mecânico.
No total, cerca de 520 reeducandos do Estado estão sendo qualificados por meio do Pronatec. Além do conhecimento, os participantes recebem R$ 2,00 a hora/aula pela “Bolsa-Formação Trabalhador”, prevista no programa.
Para o ano que vem, a meta da Agepen é manter cursos de qualificação nas unidades prisionais que iniciaram as capacitações este ano e ampliar a oferta aos demais estabelecimentos penais.
Na opinião do diretor-presidente da agência penitenciária, Deusdete Oliveira, oportunizar qualificação profissional aos reclusos é um dos principais meios de reinserção social. “Temos custodiado um público com uma carência educacional muito grande, e oferecer essa oportunidade de qualificá-lo para o mercado de trabalho reflete diretamente na redução da reincidência criminal”, ressalta.

