Fechado desde 2007, o Museu do Trem, no bairro do Engenho de Dentro, na zona norte da capital fluminense do Rio de Janeiro, foi reaberto hoje, ao público. Guardião maiores referências da memória ferroviária brasileira, o museu teve seu prédio e seu acervo tombados em 2011 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A área onde está situado o Museu do Trem abrigou por décadas as oficinas da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), que chegaram a ser as maiores da América Latina e influíram até na formação do bairro do Engenho de Dentro. A maior parte do terreno, no entanto, é hoje ocupada pelo Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007.
O museu e sua coleção pertenciam à RFFSA, mas com a extinção da estatal, há seis anos, o acervo foi absorvido pelo Iphan. Segundo o órgão, os mais de mil itens passaram, ao longo desse período, por um criterioso inventário.
O historiador Bartolomeu d’El-Rei Pinto, que desde julho do ano passado responsável pelo museu, disse que a reabertura dele vinha sendo reivindicada há tempos por associações de antigos funcionários da RFFSA e por vários interesssados na memória do transporte ferroviário. “É o único museu dedicado ao trem no estado do Rio de Janeiro, e o único espaço cultural do bairro. As pessoas passavam por aqui e batiam na porta para ver o museu, mesmo sabendo que ele estava fechado”, declarou.
O grande destaque da coleção é a locomotiva Baroneza, fabricada na Inglaterra, movida a vapor e a primeira a trafegar na Estrada de Ferro de Petrópolis, ferrovia pioneira do país, implantada pelo Barão de Mauá. Outros itens importantes são um vagão usado pelo ex-presidente Getúlio Vargas e outro usado pelo o rei Alberto, da Bélgica, quando esteve em visita oficial ao Brasil, em 1922. Utensílios, mobiliário dos trens e equipamentos ferroviários também estão expostos no museu.
De acordo com o historiador, para reabrir o espaço foi preciso apenas uma revisão na parte elétrica e no sistema de iluminação. “O acervo vinha sendo mantido limpo e arrumado”, disse. No entanto, por falta de funcionários, o museu não poderá abrir, pelo menos por enquanto, nos fins de semana.
A visitação pública será de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, com entrada franca. As escolas poderão agendar visitas guiadas pelo telefone (21) 2233-7483, também disponível para informações em geral. O Museu do Trem fica na Rua Arquias Cordeiro, 1.046, no Engenho de Dentro, zona norte do Rio.
