O carnaval é um espetáculo sem ribalta e sem divisão entre atores e espectadores: essa máxima do linguista russo Mikhail Bakhtin inspirou cada um dos 800 componentes da escola Marquês de Sapucaí em seu desfile pela General Rondon neste domingo, em Corumbá. No ano em que a agremiação comemora seu Jubileu de Prata, o samba-enredo “No grito e na folia somos todos iguais na fantasia” fez uma homenagem a todos os carnavais, do pierrô ao Cibalena, da colombina ao Praia, Bola e Cerveja, de Carmen Miranda. Por isso, não poderia deixar de lado seu personagem mais importante: o folião.
No colorido e no brilho das fantasias, a excentricidade e o exagero, celebrando a capacidade de o folião ser tudo o que quer na avenida.
A comissão de frente encantou: alunos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul interpretam os trombeteiros, que proclamam a presença do grande e nobre folião: o carnaval! No primeiro carro alegórico, o Rei Momo, que abre as portas para os 5 dias de folia.
Nas três alas que se seguem, o pierrô, o arlequim e a colombina, pivô do triângulo amoroso entre os tradicionais personagens da comédia italiana. Na sequencia, a ala mirim, dos cupidos, representando o feitiço atirado no trio.
Nas cores da agremiação, verde, amarelo, branco, lilás e azul, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alan e Ângela, carregou o pavilhão da escola e representou a musicalidade do carnaval e suas notas. Os 70 ritmistas, cedidos pela Mocidade Independente da Nova Corumbá e do bloco Axé), foram magistralmente comandados pelo mestre Luciano, enquanto o samba foi entoado pelo carioca Bira PQD, estreante no carnaval corumbaense.
Mas um dos pontos altos do desfile da Marquês ficou para o final: a homenagem à Dona Ivone, uma das fundadoras da escola. Aos 70 anos, ela apareceu no último carro alegórico, saudando a plateia. Ela representou a ala “Velha Guarda e Amigos da Marquês”.
A Marquês cantou a folia, levantou a galera e fez um desfile inesquecível e marcante.
Foto: diarionline

