Parque Nacional do Xingu, na Amazônia têm loteado e “alugado” terras para madeireiros desmatarem e retirarem madeira de forma ilegal, e a preços módicos. A denúncia está estampada no jornal “Folha de São Paulo” deste sábado, 26. Esse tipo de procedimento ocorrem em pelo menos 15 áreas indígenas com base em investigações da Polícia Federal, Ministério Público e relatos de servidores da Fundação Nacional do Índio. Nas transações, madeireiros pagam R$ 15,00 pelo metro cúbico da madeira, depois revendida por preços na casa dos R$ 1.000, de acordo com a PF.
Além de pagamento em dinheiro, os índios também aceitam aparelhos eletrônicos, bebidas ou até mesmo prostitutas, conforme relatos de funcionários da Funai. Segundo o jornal, a madeira ganha aspecto de legalidade pelo uso de planos de manejo aprovados legalmente para outras áreas. Chega assim ao mercado.
Em Mato Grosso, a PF detectou o problema em 2007 no Parque Nacional do Xingu, uma das maiores áreas indígenas do mundo. Também foram detectados casos na Área Indígena Rio Branco, dos índios Arara, região Noroeste do Estado; em Serra Morena e Parque Indígena Aripuanã, habitadas pelos indios Cinta Larga. Há atividades ilegais com madeireiros ainda, de acordo com as investigações, nas áreas indígenas Pirinéus de Souza, dos indios Sabanê, Manduka, Mamaindê, e Vale do Guaporé, dos índios Alantesu, Mamaindê, Hahaintesu, Negarotê, Waikusu Wasusu, também conhecidos como Nhambikwaras.
Apesar da denuncia, o negócio entre índios e brancos envolvendo exploração de produtos florestais não chega a ser uma novidade. Em Mato Grosso, a prática é antiga. Ocorreu – e continua de forma menos intensa – nas áreas no extremo noroeste do Estado, principalmente nas reservas indígenas dos Cinta-Larga. Em determinado momento, chegou-se a cogitar inclusive a participação de funcionários da Funai.
Em Rondônia, o líder indígena Almir Suruí, da terra Sete de Setembro, encravada na divisa com Mato Grosso, de acordo com o jornal, diz que já informou a Funai sobre a conivência de moradores de algumas das 25 aldeias da área. “Eles falam que não podem mandar fiscalização porque tem índio envolvido. Se tem, para mim é bandido como quaisquer outros. Além de roubar o próprio povo, rouba um bem da União”.
A Justiça Federal, de acordo com a “Folha”, chegou a bloquear bens de madeireiros. A decisão dizia que os índios “não só foram aliciados para facilitar a ação […] como se tornaram agentes ativos e destacados na extração e comercialização de madeiras”.
Além da madeira, também existem investigações sobre o envolvimento de índios na extração de minério.
A Funai diz que está atuando “intensamente” no combate à extração ilegal de madeira em terras indígenas, com ações de fiscalização e de capacitação. O setor de monitoramento territorial da fundação afirma que, quando identifica a conivência de índios nesse tipo de atividade, desenvolve “alternativas econômicas sustentáveis” para que eles tenham outra fonte de renda.
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