Após os pedidos dos ex-catadores do lixão de Campo Grande, o prefeito Alcides Bernal visitou o local e acompanhou de perto a situação na Usina de Tratamento de Resíduos (UTR), na manhã desta terça-feira (8). Os secretários de Assistência Social e Obras, Thais Helena e Semy Ferraz, também acompanharam a visita.
“Eu estou aqui para conhecer a realidade, ouvir os recicladores e começar um trabalho para encontrar a solução para esse problema lamentável que está instalado”, disse o prefeito.
O consenso entre os ex-catadores é o pedido em voltar ao lixão que fechado no dia 31 de dezembro pelo ex-prefeito Nelsinho Trad.

Lucineia tem 4 filhos e o sustento para a casa vinha do lixão | Foto: Deurico/CapitalNews
Bernal não confirmou que ações serão tomadas, mas afirmou que a análise da situação começou hoje e em breve deverão ser feitos encaminhamentos para a resolução do problema.
“A situação é muito grave e precisam ser tomadas providências, mas devem ser com base em uma análise jurídica para que respeitem o meio ambiente e a segurança desses trabalhadores”, disse o prefeito.
O prefeito e a equipe que o acompanhou na visita foram até o aterro sanitário e a Usina de Tratamento de Resíduos (UTR). Os catadores reclamaram para o prefeito que a usina não suporta a quantidade de trabalhadores e não possui a mesma demanda de descarte que é destinada ao aterro.
“Isso aqui dava para ser aproveitado e está sendo enterrado”, afirmou o prefeito durante a vistoria no aterro.
Bernal afirmou que ainda hoje irá acionar o Ministério Público Estadual (MPE) para que o órgão apoie as ações da prefeitura para a resolução do problema.
Aterro Sanitário
O superintendente regional da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), Pedro Teruel, também foi ao aterro e disse que irá discutir com a nova administração os rumos do convênio firmado entre Funasa e a Prefeitura para a construção do aterro.
Segundo Teruel, em 2005 a Funasa destinou R$ 3 milhões para a construção do aterro e o tratamento do chorume do antigo lixão. Do valor, foram usados R$ 600 mil para a construção da nova parte do aterro inaugurada em dezembro de 2012.
A parte do valor que sobrou, R$ 1,7 milhão, foi depositada em conta da prefeitura. Com os juros, hoje o valor chega a R$ 2 milhões. Hoje o novo aterro sanitário de Campo Grande está com 36% das obras concluídas. Segundo Teruel, será discutido com a prefeitura a conclusão dos 64% que ainda faltam ser feitos.
Os recursos para a construção do aterro vieram da Funasa e da Caixa Econômica Federal, de acordo com o superintendente.
Apelo
Para quem sobrevivia dos restos catados no lixão, o final de 2012 e o início de 2013 têm sido épocas difíceis. Lucineia Cristina de 30 anos têm quatro filhos e sem o trabalho como catadora, será despejada da casa onde mora de aluguel.
“Eu só quero voltar a trabalhar, não quero nada de ninguém. Estamos vivendo de doação, eu já tenho dois alugueis atrasados e assim que o dono da casa voltar vou pra rua com os meus filhos”, disse.
Para Rudivan Soares, de 25 anos, os ganhos prometidos na UTR não irão suprir a necessidade dos catadores. “Aqui no lixão a gente tirava R$ 60 por dia, lá na usina, quem conseguiu alguma coisa, está tirando R$ 24 a diária. A gente só não está passando fome porque tem muita doação”, afirmou o catador que trabalho no lixão desde criança.
O pai de família Valmir da Silvia tem 36 anos e dois filhos pequenos. Ele conta que há 7 anos tira o sustento do descarte, como muitos, o desejo dele é que o lixão seja reaberto.
“Não é porque trabalhamos com lixo que as pessoas podem nos tratar como lixo. A gente só quer ganhar nosso dinheiro com dignidade”.
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