Por isso, a participação de instituições que atuem em prol do desenvolvimento agrícola brasileiro, gerando tecnologias por meio de pesquisas, é importante para que o agricultor desenvolva seu trabalho e mantenha-se no mercado. Este é o caso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), empresa vinculada ao Mapa, que atua em diferentes áreas geográficas e campos do conhecimento científico.
Para o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados/MS), Guilherme Lafoucarde Asmus, o produtor é peça importante no processo, porque ele é o meio para que a pesquisa desenvolvida pela Embrapa atinja seu objetivo final: trazer o benefício para toda a sociedade com alimentos de boa qualidade e quantidade aceitáveis, mais baratos, dentro das exigências atuais do mercado consumidor, com menos impacto sobre recursos naturais e melhor uso dos recursos físicos e financeiros, fazendo com que todos se beneficiem.
“O produtor é quem faz o uso das análises de pesquisa, orientado pela assistência técnica, para que essa pesquisa se consolide em resultados para toda a sociedade. Antigamente, ele era uma pessoa que executava as orientações da assistência técnica. Hoje, ele passou a ser agente: ele solicita e até exige a informação, traz à pesquisa seus anseios e suas demandas. discutindo juntamente com todos os demais membros da cadeia as melhorias necessárias”, afirma Asmus.
Apesar de considerar essa busca de capacitação e inovação ainda lenta por parte de alguns agricultores, o presidente do Grupo Plantio na Palha de Dourados (GPP), Angelo Cesar Ajala Ximenes, enfatiza a necessidade de o agricultor manter-se atualizado sobre as novas tecnologias focadas na sustentabilidade e implantá-las em seu negócio. “O agricultor não tem como fugir da sustentabilidade, ainda mais com a pesquisa a favor, com tecnologias como Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e consórcio milho com braquiária, que contribuem para maior rentabilidade e equilíbrio do solo. Quem quer se manter no mercado, precisa se adaptar”, enfatiza Ximenes.
É o que faz Lúcio Damália, produtor rural há 38 anos. Entre as tecnologias que já implantou estão o Sistema Plantio Direto (SPD) e o consórcio milho com braquiária. Além disso, faz cursos de capacitação, participa de palestras e dias de campo juntamente com seus empregados. “De maneira geral, o agricultor precisa correr lado a lado com a tecnologia que está disponível e acessível. É só procurar que se acha. O agricultor tem que se conscientizar do papel dele, não só como produtor de alimentos, mas também como alguém responsável pela sustentabilidade e pelo meio ambiente”, diz Damália.
O agricultor e pecuarista Pedro Pinto Lima, no setor há cerca de 30 anos, começou somente com a pecuária, mas, na constante busca por informações, percebeu que a diversificação seria a melhor saída para tornar sua produção mais rentável e sustentável. Há cerca de oito anos utiliza ILP, plantando milho com braquiária intercalados, assim como agricultura de precisão para homogeneizar o solo, o que garante produtividade maior em uma área menor. “Tem gente que acha que é preciso comprar mais terra para aumentar a lucratividade, mas se você cuidar bem da terra é possível ter uma boa produtividade”.
Mas Lima enfatiza: “A atividade do produtor rural é difícil. Há uma série de percalços que podem atrapalhar a produção. Muitas pessoas esquecem que por trás do mercado, existe uma cadeia de pessoas que trabalham sério para fornecer a comida para cidade, que precisa ser mais valorizada.”
Para o gestor de P&D, nada mais justo do que comemorar o dia do agricultor. “A balança comercial brasileira só é positiva e superavitária devido às exportações agrícolas. E a formação de uma nação passa obrigatoriamente pela conscientização de sua economia. Dentro desse processo, o segmento que contribui para isso é o agrícola. E o agricultor é o agente que transforma a tecnologia em produção, usando todos os recursos que ele tem à mão”, diz Asmus.
