
Cerca de 10 mi pessoas, segundo organização, participaram do ato da virada de Lula na Capital – Foto: Divulgação
Apostando na virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a esquerda levou cerca 10 mil pessoas – segundo estimativa da organização – às ruas da Capital na manhã deste sábado (24) e realizou a maior manifestação da esquerda em 30 anos. Sem a escolta da Polícia Militar de Trânsito ou da Guarda Municipal, os manifestantes levaram as bandeiras do Brasil, do candidato petista e cartazes com críticas à família Bolsonaro.
O tamanho da manifestação impressionou as principais lideranças petistas, como o ex-governador por dois mandatos e deputado estadual reeleito José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT. “É a maior desde 1996, desde 1998, conseguiu unir a velha guarda e a juventude”, exaltou o petista, que acompanhou a passeata a pé ao lado da esposa, a ex-primeira-dama e candidata a vice-governadora nas eleições deste ano, Gilda Maria dos Santos, a Dona Gilda.
“O clima é de virada comandada pela juventude, a militância está motivada”, avaliou o deputado estadual e presidente do diretório municipal do PT, Pedro Kemp. Ele destacou que o movimento mostra que Lula é maior que o partido, extrapola as fronteiras do PT e consegue unir os trabalhadores.
“Estamos pela soberania, em defesa da democracia. O povo sabe que o adversário representa ameaça a democracia brasileira”, afirmou Kemp, sobre o candidato de oposição, senador Flávio Bolsonaro (PL).
“Eu me surpreendi positivamente. Um mundo de gente. Um marco”, admitiu o advogado e candidato a governador Fábio Trad (PT), que ficou em 2º lugar na disputa. “Se tivessem despertado antes, haveria segundo turno aqui para o governo. Precisou levar este susto da ameaça miliciana fascista para levantar. Uma enorme demonstração de engajamento político em defesa da democracia e dos programas sociais do governo Lula”, destacou.
Cartazes, faixas, bandeira
A multidão se concentrou na Praça Ary Coelho e percorreu as ruas 14 de Julho, Marechal Cândido Mariano Rondo e 13 de Maio. Os manifestantes estavam vestidos de vermelho, mas também de verde e amarelo. Símbolo da era bolsonarista, a camiseta da seleção brasileira também foi usada como amostra de patriotismo.
Muitos manifestantes levaram, a bandeira do Brasil e a Constituição para a manifestação. A manifestação foi animada pela bateria da Escola de Samba Igrejinha. Durante o percurso, o grupo cantou vários hits, como:
- “Anistia sem perdão, quero ver miliciano na prisão”
- “Trabalhador olha para cá, tô na rua para o seu filho estudar”
- “Dança, quem fica parado é amigo do Vorcaro”
- “Olé, olé, olá, Lula! Lula! Lula!!!”
Houve um grupo que protestou contra a prefeita Adriane Lopes (PP), apontada por pesquisas como a pior da história da Capital e a mais impopular do Brasil. “Adriane é Flávio, Flávio é Adriane”.
Houve faixa contra o fascismo, como “Tenho nojo do fascismo”, em defesa do fim da escala 6×1, da educação e da vacina. Levaram para a Avenida Afonso Pena uma imagem gigante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de estado, preso.
A PM só enviou uma viatura no final da manifestação que impediu confronto entre um
Multidão faz história
A manifestação deste sábado só pode ser comparada à realizada em 1996 quando Zeca do PT perdeu por 411 votos a prefeitura da Capital para André Puccinelli (MDB). Na época, o PT acusou o emedebista de compra de votos e realizou grandes protestos para pedir a anulação da eleição.
Em 1998, quando Zeca do PT foi eleito governador pela primeira vez, segundo o petista, houve mobilização semelhante. Na época, o bancário virou opção à desastrosa administração de Wilson Barbosa Martins.
A Capital voltou a ter grandes manifestações em 2013, mas não eram comandadas pela esquerda. A direita levou uma multidão às ruas em defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O movimento se repetiu em 2018 e 2022 para defender a eleição de Jair Bolsonaro. E após a pandemia, os bolsonaristas passaram a realizar as grandes manifestações na Capital.
motociclista bolsonarista e os manifestantes no cruzamento da Afonso Pena com a Rua 13 de Maio.
Também participaram da manifestação a senadora Soraya Thronicke (PSB), os vereadores Landkmar Rios, Luiz Ribeiro e Jean Ferreira, o deputado estadual eleito Tiago Botelho, entre outras lideranças. Fonte: Ojacare

