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MP apura se “sobra” de R$ 10 milhões em contratos superfaturados virou Pix em Sidrolândia

Investigação encontrou R$ 7 milhões em recursos sem aplicação, obra "fantasma" e equipamento não entregue

por Redacao
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Agente do Gaeco no Hospital Dona Elmira Silvério Barbosa, em Sidrolândia, na primeira fase da Operação Dirty Pix, em novembro do ano passado – Foto: Paulo Francis

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) identificou R$ 7 milhões em valores sob suspeita em dois convênios destinados ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, investigado na Operação Dirty Pix (Pix Sujo). Os dois contratos levaram um total de R$ 10.487.033,13 em recursos públicos.

O montante de R$ 7.144.365,43 é a soma dos recursos cuja aplicação foi questionada e prejuízos estimados pelos promotores, que apontam superfaturamento, pagamento por serviços não executados e compra de equipamento que não teria sido entregue. Parte do dinheiro público, segundo as apurações, foi distribuído por Pix a intermediários financeiros e políticos.

Os detalhes constam de representação apresentada à Justiça em 3 de agosto de 2026 pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) para pedir os mandados de prisão e busca que viabilizaram a segunda fase da operação. O documento reconstrói a movimentação dos recursos e amplia o alcance da primeira etapa de investigação.

A maior parcela dos valores questionados, R$ 4.653.878,43, está relacionada ao Convênio nº 32.565/2022, destinado à aquisição de equipamentos, materiais hospitalares e veículos do tipo UTI móvel para o hospital. O hospital recebeu R$ 5.408.770,13, mas os documentos analisados pelos promotores identificaram apenas R$ 754.891,70 aplicados.

Para o Gecoc, a “sobra” foi desviada. O pedido enviado ao Judiciário sustenta que esse convênio foi a principal fonte de abastecimento financeiro do esquema de pagamentos indevidos a vereadores de Sidrolândia, operadores financeiros e outras pessoas ligadas ao grupo investigado.

A conclusão representa uma mudança em relação à primeira fase da Operação Dirty Pix. Inicialmente, os investigadores acreditavam que o dinheiro utilizado para as propinas havia saído do convênio destinado à compra de uma ressonância magnética.

Prejuízo – O Convênio nº 32.700/2022, firmado em dezembro de 2022 para aquisição de uma ressonância magnética e de uma autoclave, contudo, não foi descartado pela investigação. Nesse caso, o Ministério Público estima prejuízo de R$ 2.490.487, dividido entre sobrepreço na compra do aparelho, pagamento por obras não executadas e ausência de entrega de um dos equipamentos.

Segundo o Gecoc, a ressonância custaria aproximadamente US$ 640 mil, incluindo instalação, o equivalente a cerca de R$ 3,2 milhões na cotação de outubro de 2023, quando ela foi comprada. Apesar disso, o hospital registrou e pagou R$ 5.078.263 à Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos Ltda. pelo aparelho, R$ 1,8 milhão a mais do que o orçado.

Outros R$ 390 mil correspondem à autoclave prevista no convênio. Conforme a investigação, o equipamento não foi entregue ao hospital. A terceira parcela, de R$ 300 mil, seria destinada à reforma da sala onde seria instalada a ressonância magnética. Mas, segundo o MP, o serviço nunca foi prestado.


Em troca de mensagens, diretor de hospital fala em pagamento “por fora” – Foto: Reprodução da peça do MPMS

Interceptações – As suspeitas são reforçadas por conversas extraídas do celular do então presidente do hospital, Jacob Meeuwis Breure, preso desde o dia 7 de outubro.

Em uma das mensagens reproduzidas na representação, ele menciona despesas adicionais à compra da ressonância: “Depois tem um valor de 300 mil que tá fora daí, que é a construção. E depois tem o valor que é do Silvio, que também não tá junto aí”.

Para os promotores, a referência ao valor destinado a Silvio de Azevedo Pereira Junior, ligado às empresas fornecedoras, é um indício de que a contratação incluía pagamentos desvinculados do custo direto do equipamento. A investigação também aponta a atuação de Júlio Cesar Alves da Silva, então assessor parlamentar, nas negociações.

Outro lado – Em manifestação anterior ao Campo Grande News, a Pharbox negou envolvimento em irregularidades e afirmou que os equipamentos foram entregues e instalados em 2023. A versão da empresa diverge dos apontamentos do Ministério Público sobre a autoclave.

Já o diretor do hospital negou qualquer irregularidade ao ser preso e afirmou que tudo seria esclarecido. Seu advogado, Wellison Muchiutti, disse que ele estava com a consciência tranquila e colaboraria com a investigação.

A defesa de Júlio Cesar Alves da Silva informou, na ocasião da prisão, também no dia 7 de outubro, na deflagração da segunda fase da Dirty Pix, que ainda não tinha acesso aos fundamentos da medida judicial, em razão do sigilo do processo.

O espaço segue aberto para as manifestações dos demais citados e acréscimos nos pronunciamentos anteriores. Fonte: Campo Grande News

 

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