
Saques acima de R$ 50 mil são comunicados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras – Foto: Reprodução
Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) revelou detalhes do impressionante fluxo financeiro operado por uma organização criminosa baseada em Campo Grande. Segundo a denúncia da Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho, os investigados movimentavam milhões de reais em dinheiro vivo, utilizando uma tática sistemática para burlar os órgãos de fiscalização financeira.
Entre agosto de 2022 e setembro de 2024, a empresa Souza & Fanaia (Editora Avante) faturou mais de R$ 27 milhões vindos dos cofres públicos de diversos municípios de Mato Grosso do Sul. Desse total, mais de R$ 9 milhões foram sacados diretamente em espécie.
A voracidade do esquema impressionou os investigadores: no dia 5 de agosto de 2024, a empresa sacou R$ 2,18 milhões. Menos de um mês depois, em 2 de setembro, foi registrado um saque recorde de R$ 3 milhões em um único dia.
A tática dos R$ 49 mil para driblar o Coaf
Apesar dos saques milionários pontuais, a estratégia padrão do grupo era o fracionamento de valores para operar “abaixo do radar”. A grande maioria das retiradas na boca do caixa era fixada em valores próximos a R$ 49.000,00.
A manobra tinha como objetivo direto driblar a Circular nº 3.978/2020 do Banco Central. Pela norma (Art. 35), os bancos são obrigados a comunicar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), até o dia útil seguinte, qualquer saque em espécie igual ou superior a R$ 50 mil — exigindo a identificação do beneficiário, do portador e a finalidade do dinheiro. Ao sacar R$ 49 mil, o grupo evitava o alerta automático às autoridades.
Apreensões e suspeitos
No dia em que a operação foi às ruas, os agentes do Gaeco apreenderam R$ 227 mil em dinheiro vivo e mais de R$ 3 milhões em cheques. As pilhas de cédulas foram encontradas em imóveis ligados aos alvos da ação.
Entre os investigados estão:
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Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo: Pai e filho, ligados à Atalaia Veículos. Segundo o Gaeco, a dupla e a empresa receberam R$ 826.311,94 da Editora Avante no período investigado. O dinheiro em espécie foi apreendido na casa de Paulo e na empresa de Douglas.
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Francisco Anízio dos Santos: Apontado como integrante do núcleo com forte influência sobre as decisões financeiras e administrativas da editora. Parte do dinheiro em espécie também foi apreendida em sua residência.
Outro lado
Na ocasião da divulgação da denúncia, a reportagem tentou contato com a defesa dos empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, mas não obteve retorno. A defesa de Francisco Anízio dos Santos também não foi localizada para comentar as acusações. O espaço segue aberto para manifestação dos citados.
