
Em 2025, Mato Grosso do Sul liderou a contagem no país, com 409 araras-azuis registradas – Foto: Gabriel Astorga
Nos dias 1º e 2 de agosto, o Brasil, a Bolívia e o Paraguai se unirão para o segundo Big Day das Araras-Azuis, a maior contagem simultânea da espécie na natureza. O objetivo da ação é mobilizar a população que vive ou frequenta as áreas de ocorrência da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), gerando dados cruciais para a conservação da ave que é símbolo da biodiversidade pantaneira e brasileira.
Inspirado no Global Big Day — tradicional evento mundial de observação de aves —, o projeto é idealizado pelo Instituto Arara Azul, que monitora a espécie há mais de três décadas para tirá-la da ameaça de extinção.
O papel fundamental das comunidades locais
Para a presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, o engajamento de quem vive no campo é o verdadeiro motor do projeto. A expectativa é que a comunidade rural atue como os “olhos” da pesquisa nesses dois dias.
“Qualquer pessoa pode participar. Quem mais esperamos que participe este ano são as pessoas que moram nas propriedades, nas fazendas de ocorrência das araras-azuis. Seja o peão, o fazendeiro, o gerente ou a dona de casa. Onde elas estão, elas acabam se mostrando bastante. Tenho certeza de que as pessoas sabem onde elas ocorrem, e é delas que esperamos o resultado deste ano”, destaca Neiva Guedes.
MS liderou primeira edição; pesquisadores alertam para “dados de ausência”
A primeira edição do evento, realizada em 2025, surpreendeu os cientistas. Mato Grosso do Sul liderou a contagem nacional, registrando sozinho 409 araras-azuis graças a uma forte mobilização de observadores em diversos municípios.
Contudo, estados como Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia não geraram registros no ano passado, e Minas Gerais teve pouca adesão. A médica-veterinária e coordenadora de campo do Projeto Arara Azul na Caiman, Maria Eduarda Monteiro, reforça que, para a ciência, notar onde a arara sumiu é tão importante quanto registrar onde ela está.
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A importância do ‘zero’: “Em locais onde houve esforço de observação, mas nenhuma arara foi avistada, essa informação também é extremamente importante. A ausência de registros ajuda a identificar possíveis mudanças na distribuição da espécie e áreas que precisam de maior atenção”, explica Maria Eduarda.
Como participar e enviar os dados?
Qualquer morador ou visitante do Brasil, Paraguai e Bolívia pode participar nos dias 1º e 2 de agosto. A observação pode ser feita de casa, do campo, de escolas ou de áreas urbanas, anotando a quantidade de araras avistadas (sozinhas ou em bandos).
Os registros, acompanhados de fotos ou vídeos, podem ser enviados por diferentes canais:
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Plataformas de Ciência Cidadã: eBird, WikiAves ou Biofaces.
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Formulário Oficial: Disponível nos canais digitais do Instituto Arara Azul.
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WhatsApp da Campanha: (67) 9987-10752.
