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Órgãos de defesa do Pantanal reforçam trabalho de prevenção a incêndios

por Redacao
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A Marinha contribuiu para a manutenção do sistema de proteção a incêndios – Foto: IHP

Com o objetivo de prevenir incêndios no Pantanal diante do alerta de agravamento do fenômeno El Niño, o IHP (Instituto Homem Pantaneiro) realizou operação estratégica de manutenção em uma das torres do Sistema Pantera, localizada na região da Serra do Amolar, em parceria com a Marinha do Brasil. A ação para garantir a continuidade do monitoramento em tempo real contra incêndios florestais no bioma representou a substituição de quatro baterias que mantêm a operacionalização 24 horas por dia, durante os sete dias da semana. Os equipamentos substituídos asseguram a alimentação de energia para o funcionamento das câmeras de alta resolução da estrutura.

O serviço foi realizado em 3 de junho, ainda em período considerado não crítico por órgãos federais como o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) em relação a ondas de calor e possíveis estiagens mais severas. No entanto, as projeções para o segundo semestre indicam condições climáticas adversas, o que torna a manutenção preventiva ainda mais necessária.

A logística da operação evidenciou a necessidade de proteger áreas isoladas no Pantanal. Sem o suporte do helicóptero disponibilizado pela Marinha, a equipe técnica levaria ao menos três dias para concluir a manutenção por via terrestre e fluvial. O desafio residiria no transporte manual de mais de 120 kg de equipamentos e insumos, que teriam de ser carregados em uma escalada pela morraria local, sob uma altitude de 600 metros acima do nível do mar.

O presidente do IHP, Ângelo Rabelo, que se pronunciou por meio de assessoria de imprensa, reforçou que as ações de prevenção aos incêndios florestais exigem trabalho conjunto e coordenado. Ele destacou que a Marinha do Brasil é uma parceira no trabalho de proteção ao Pantanal desde o funcionamento do Sistema Pantera, em 2022, e esse apoio é fundamental para garantir a efetividade do monitoramento. Com uma detecção de fumaça feita entre três a cinco minutos, o sistema permite ganho de tempo para planejar uma ação e tentar evitar que um fogo se transforme em incêndio florestal. Os sistemas costumam fazer a detecção após horas do início do fogo. Diferentes alertas sobre condições severas para o segundo semestre tornam a atuação preventiva e estratégica extremamente necessária.

O Sistema Pantera, criado pela startup Um Grau de Meio, opera como uma das principais ferramentas tecnológicas no Pantanal na vanguarda da prevenção e combate aos incêndios. Por meio de câmeras de alta precisão, o sistema cobre um território de mais de 1 milhão de hectares, sendo capazes de identificar linhas de fumaça. O trabalho consiste em processar dados instantaneamente e gerar alertas automáticos para a central do IHP, permitindo o acionamento imediato da Brigada Alto Pantanal antes que o fogo ganhe proporções incontroláveis.

Esse monitoramento alcança áreas no Brasil, envolvendo diferentes partes do Pantanal, e também na Bolívia, onde está a Área de Manejo Integral San Matías. Ambas as áreas têm importância sobre a conservação da biodiversidade. O trabalho desenvolvido pelo IHP do lado brasileiro já identificou mais de 200 espécies de fauna. Também está em processamento um inventário florestal para garantir a proteção de espécies da flora ameaçadas em outras regiões.

A manutenção assegura o pleno funcionamento da cobertura de monitoramento justamente nos períodos de maior vulnerabilidade climática da região. Além do trabalho realizado em 3 de junho, a Brigada Alto Pantanal fez um trabalho preventivo na região de morraria durante a mesma semana. Foram feitos aceiros no entorno da torre para garantir maior segurança contra possíveis incêndios. Também ocorreu a limpeza de área que permitisse o pouso do helicóptero da Marinha.

Os brigadistas do IHP vêm trabalhando desde janeiro com atividades de prevenção e manutenção de aceiros na região da Serra do Amolar, em áreas onde o monitoramento ambiental já identificou passagem de fauna. Ao longo de 2026, já houve trabalho para garantir mais de 33 km de aceiros. Também ocorreram apoios para comunidades e escolas rurais.

Os alertas gerados no monitoramento contra os incêndios florestais são fornecidos para os Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Ministério Público Estadual de MS, Prevfogo/Ibama, Armada Boliviana, moradores de áreas remotas e propriedades rurais no Pantanal.

Queimadas no Pantanal cresceram 180% em 2026

O número de focos de incêndios no Pantanal aumentou cerca de 180%, de acordo com dados do BDQueimadas. Foram registrados 196 focos de 1º de janeiro deste ano até o dia 5 de junho, enquanto em 2025, no mesmo período, foram contabilizados 70 focos.

O aumento dos focos de incêndio deste ano põe em risco o percurso de 2025, quando, de acordo com a Operação Pantanal em 2025, atingiu a melhor da série histórica, iniciada em 1998, no que se refere aos focos de calor em Mato Grosso do Sul. Até 31 de dezembro, foram registrados 1.844 focos, número inferior aos 2.111 contabilizados no primeiro ano da série. A área queimada também apresentou queda significativa: em 2025, foram atingidos 202.678 hectares, volume muito inferior ao registrado em 2024, quando mais de 2,3 milhões de hectares foram consumidos pelas chamas.

Alerta para o segundo semestre

O Cemaden publicou nota técnica com as previsões mais recentes sobre o desenvolvimento do fenômeno El Niño na segunda metade de 2026. De acordo com o documento, há mais de 80% de probabilidade de ocorrência do evento, possivelmente a partir do trimestre agosto-setembro-outubro, com intensidade estimada entre moderada e forte. O fenômeno tende a elevar o risco de chuvas extremas na Região Sul, enquanto as regiões Norte e Nordeste podem enfrentar agravamento da seca. A área central do País deverá registrar ondas de calor mais frequentes e baixa umidade, o que gera impacto direto para o Pantanal e aumenta os riscos para incêndios florestais.

Em Mato Grosso do Sul, os efeitos do El Niño devem se intensificar a partir da primavera e do verão de 2026/2027, com maior concentração entre setembro e dezembro. Isso acontece porque o Estado é recordista em ocorrência de ondas de calor no Brasil, com média de 14,3 eventos por ano. Durante eventos de El Niño, essa média pode ultrapassar 25 ondas de calor em um único ano. Mapas de anos análogos (1982, 1991, 1997, 2009 e 2023) indicam sinal de atenção para as porções centro-sul e sudoeste do estado, com possibilidade de episódios de chuvas mais intensas e acumuladas em poucos dias, o que pode favorecer enxurradas, alagamentos urbanos e cheias em cursos d’água de menor porte.

“A análise reúne dados de instituições como o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Bureau de Meteorologia da Austrália (BOM). As projeções apontam para anomalias positivas na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial, com possibilidade de o fenômeno atingir intensidade comparável aos maiores eventos já registrados”, divulgou o órgão federal.

Essa possibilidade de ondas de calor está prevista para fenômenos que podem superar o que ocorreu em 2023 e 2024, quando eventos combinados de calor e seca intensificaram o número de incêndios de vegetação na Amazônia e no Pantanal. Os incêndios florestais geram riscos para a biodiversidade e causam sérios problemas para a saúde de pessoas que vivem no território, principalmente em áreas remotas, onde não existem os mesmos recursos para abrigo contra a fumaça como ocorre nas zonas urbanas. Além disso, essas comunidades ficam mais próximas dos episódios onde há as chamas.

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