
Pollon foi punido por ocupar a mesa diretora da Câmara em 6 de agosto do ano passado – Foto: Reprodução/TV Câmara
Após nove horas de sessão, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou, por 13 votos a 4, a suspensão do mandato do deputado federal Marcos Pollon (PL) por dois meses. A votação ocorreu após falhar a estratégia bolsonarista de adiar a votação.
Pollon foi punido pela ocupação da Mesa Diretora da Câmara e impedir acesso do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), de Pernambuco. Além do sul-mato-grossense, os deputados Zé Trovão (PL), de Santa Catarina, e Marcel Van Hattem (Novo), do Rio Grande do Sul, foram a julgamento nesta terça-feira (5).
A suspensão por dois meses foi proposta pelo relator, Moses Rodrigues (União Brasil), do Ceará. O processo foi instaurado há sete meses e a conclusão do julgamento foi adiada por várias sessões após manobra bolsonarista.
Hoje, o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL), da Paraíba, tentou de todos os meios adiar a votação, mas a estratégia não teve êxito. Ele alegou questões humanitárias por Pollon ser “especial”, referindo-se a questão do parlamentar ser autista e ter pressão alta. “O deputado Pollon pode ter pico de pressão”, alegou o bolsonarista.
Os pedidos foram rechaçados pelo presidente do Conselho de Ética, Fábio Schiochet (União Brasil), de Santa Catarina, e pelo plenário.
Apesar de ter o direito para se defender, inclusive com manifestação de advogado e de deputados aliados, Pollon afirmou que estava sendo vítima de “regime de exceção”. “Não será este revés que vai me calar”, afirmou, antecipando a derrota.
Visivelmente emocionado, o parlamentar pediu desculpas à família, a mãe, a esposa e aos filhos, por não ter tempo. Com a suspensão do mandato, o parlamentar bolsonarista poderá colocar em dia o tempo em que ficou ausente como filho, pai e marido.
Pollon reclamou do longo tempo da reuinião do Conselho de Ética, que começou por volta das 11h e teve a votação a partir das 20h30 desta terça-feira. “Essa sessão interminável é inédita”, lamentou o parlamentar.
Nova suspensão
Pollon ainda pode ser suspenso por mais 90 dias por ter xingado o presidente da Câmara dos Deputados. Católico fervoroso e apesar de ter clamado a Deus durante a sessão, ele xingou Huggo Motta de “bosta de deputado”, “porra de deputado” “um deputado de um metro e sessenta de altura” durante o Reaja Brasil, protesto ocorrido em Campo Grande no dia 3 de agosto do ano passado.
O deputado chegou a passar mal em uma das sessões do Conselho de Ética e afirmou que quase sofre um AVC. Valente para atacar os adversários, o deputado se mostrou bastante fragilizado durante a sessão e teve o “risco de pico de pressão” usado pelo líder do PL para adiar a votação de hoje.
De acordo com o presidente do Conselho de Ética, Pollon poderá apelar à Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Câmara dos Deputados contra a suspensão.
No período em que ficar suspenso, ele perderá o salário de R$ 46 mil, não terá a verba indenizatória e será obrigado a dispensar os funcionários por 60 dias. Fonte: ojacare
