
Imagem ilustrativa – Foto: Divulgação/Governo Federal
Com mais de 226,1 mil vínculos empregatícios, Mato Grosso do Sul somava 652 estabelecimentos com 100 ou mais empregados em dezembro de 2025. Do total, 83 mil ocupações eram femininas, sendo 50 mil delas mulheres negras (60,2%) e 32,9 mil mulheres não negras (39,6%), conforme o Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgado na segunda-feira (27).
O 5º Relatório de Transparência Salarial indica que o mercado de trabalho formal brasileiro avançou de forma significativa em 2025, com destaque para a ampliação da participação feminina e, principalmente, para o crescimento da contratação de mulheres negras em grandes empresas. Além disso, o número de mulheres pretas e pardas empregadas em estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores cresceu de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o equivalente a mais de 1 milhão de novas contratações formais.
O crescimento do emprego na soma total de mulheres foi de 11%, passando de 7,2 milhões para 8,0 milhões, um aumento de 800 mil empregadas no período.
Desigualdade salarial
O resultado nacional acompanha o aquecimento da economia e a expansão do emprego formal no país, ao mesmo tempo que reforça a importância das políticas públicas destinadas à promoção da igualdade de oportunidades e de renda. Assim, embora o avanço do emprego feminino represente a ampliação da inclusão produtiva, o relatório evidencia que a desigualdade salarial entre homens e mulheres ainda persiste.
No Estado, a remuneração média das mulheres em estabelecimentos com 100 ou mais empregados em dezembro de 2025 foi de R$ 3.065,70, contra R$ 4.151,02 dos homens. Tratando-se de mulheres negras, o rendimento médio foi de R$ 2.658,43, enquanto o valor médio para as mulheres não negras ficou em R$ 3.706,03. Já os homens negros receberam, em média, R$ 3.701,36, e os homens não negros, R$ 5.067,47, no estado sul-mato-grossense.
Em nível nacional, o estudo aponta que as mulheres receberam, em 2025, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado. Além disso, em 2025, o salário médio das mulheres no momento da admissão esteve cerca de 14,3% abaixo do registado para os homens.
Políticas de incentivo
O Painel do Relatório de Transparência Salarial ainda apresenta um panorama atualizado para o primeiro semestre de 2026 do percentual de estabelecimentos que trabalham com políticas de incentivo à contratação de mulheres. O Ceará conta com 25,1% desses estabelecimentos.
No estado, 4,7% das empresas com 100 ou mais empregados possuem políticas de incentivo à contratação de mulheres vítimas de violência doméstica; 14,8% têm políticas de incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAPN+, 16,9% têm políticas de incentivo à contratação de mulheres com deficiência, e 18% contam com políticas de incentivo à contratação de mulheres negras.
Os dados nacionais indicam que, apesar da expansão das oportunidades, ainda é necessário avançar na equiparação salarial e em outros aspectos.
Aumento de empresas
Conforme o levantamento, o número de empresas com 100 ou mais empregados no Brasil cresceu 5,5% entre 2023 e 2025, passando de 50,7 mil para 53,5 mil. Nesse período, o emprego cresceu de 18 milhões para 19,3 milhões, com mais intensidade naquelas empresas com mais de dois mil empregados (11,2%) e de mil a dois mil empregados (8,2%).
Os dados baseiam-se na Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e abrangem cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados. Segundo o levantamento, o salário médio é de R$ 4.594,89, enquanto o salário contratual mediano é de R$ 2.295,36.
Equiparação
A dimensão econômica dessa desigualdade salarial é expressiva. Para que a massa de rendimentos das mulheres correspondesse à sua participação no emprego formal, seria necessário ampliar em R$ 95,5 bilhões por ano a remuneração feminina. De acordo com o relatório, tal equiparação elevaria em mais de 10% a massa total de rendimentos do país.
O relatório aponta ainda que a diferença salarial varia de acordo com o porte das empresas. Nos estabelecimentos com até 250 empregados, a remuneração de admissão das mulheres se aproxima mais da dos homens, alcançando 90% de equivalência. Já nas empresas de maior porte, onde os salários são mais altos, a distância remuneratória permanece mais acentuada.
Cargos de liderança
O levantamento ainda registra avanços na presença de mulheres em cargos de liderança e no fortalecimento de políticas afirmativas nas empresas. Assim, o número de estabelecimentos com mulheres em cargos de gerência e direção em quantidade suficiente para cálculo de paridade salarial cresceu 12%. Houve também aumento no número de empresas que afirmam promover mulheres e apoiar políticas de parentalidade, indicando maior incorporação de práticas voltadas à permanência e à ascensão profissional feminina.
Entre as iniciativas afirmativas, 7% dos estabelecimentos informaram manter políticas de contratação de mulheres vítimas de violência, com destaque para os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Além disso, as empresas com mais de mil empregados são as que mais adotam esse tipo de medida, demonstrando o papel estratégico do setor produtivo na promoção da inclusão social.

