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Onças-pintadas estão sendo ‘educadas’ a não comerem gado no Pantanal

Dispositivo tem impedido animais de se aproximarem dos bovinos na hora do ataque: ‘É como educar uma criança’, diz veterinário

por Redacao
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Encontro tenso entre onça-pintada e boi no Pantanal de MS. – Foto:  Ilustrativa/Fábio Paschoal

Invenção desenvolvida por um veterinário está “educando” as onças-pintadas do Pantanal brasileiro a não comerem gado. A iniciativa, implementada e testada há mais de um ano, surgiu para ajudar na preservação da espécie e evitar conflitos entre os felinos e os fazendeiros da região. O case de sucesso foi divulgado pela BBC News Brasil.

No Pantanal, as onças costumam ser mortas em retaliação, já que caçam vacas e bezerros. Mas, com a criação do médico-veterinário Paul Raad, esse embate está sendo reduzido.

Paul inventou uma cerca elétrica inofensiva como solução para proteger o gado dos ataques das onças e, ao mesmo tempo, reduzir as mortes causadas por produtores.

Testado, o dispositivo, que não fere os animais, mas provoca incômodo suficiente para impedir que os felinos pulem a cerca, foi aprovado e apresentou resultados impressionantes.

ONÇAS GADO
Onças diante da cerca inofensiva no Pantanal – Foto: Reprodução

Número de abates caiu consideravelmente após instalação de cercas

Durante o período em que desenvolveu o projeto no Pantanal mato-grossense, o veterinário mapeou cerca de 30 onças na área demarcada para o estudo e verificou que elas precisavam comer entre 4 kg e 5 kg de carne por dia. Segundo ele, a necessidade torna o gado uma presa fácil, especialmente pela abundância dos bovinos.

Nesse cenário, o veterinário testou a cerca elétrica inofensiva para afastar onças e vacas. Ele garante que o instrumento gera um incômodo, mas não machuca qualquer animal que encostar.

À BBC News Brasil, o pesquisador diz que não acreditou na própria ideia, mas se surpreendeu com os frutos. Conforme Paul, no ano anterior à instalação das cercas, as onças caçaram 24 bezerros. Já com o dispositivo instalado, o número caiu para quatro bezerros atacados.

Para o veterinário, o instrumento tem sido “educativo” para os felinos. “É como educar uma criança”, destaca. Se a onça, quando jovem, entender que não deve caçar esse tipo de animal, ela vai focar em outro alimento, mesmo que este esteja em maior disponibilidade na região, explica Paul, revelando que a ideia já começou a ser replicada em outros estados brasileiros. Fonte: Midiamaxuol

Artigo científico detalhando a experiência foi publicado em dezembro. Confira os detalhes:

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