
Bioma pantaneiro teve representatividade, mas não entrou no texto – Foto: Rodolfo César
Apresentado após encerramento da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), finalizada na semana passada em Belém (PA), o texto com os acordos e as propostas visando melhorias climáticas deixou o Pantanal de fora. Lacunas no documento foram apontadas por especialistas de Mato Grosso do Sul.
Gustavo Figueirôa, diretor de Comunicação e Engajamento do Instituto SOS Pantanal, diz que houve apenas um avanço prático que se relaciona ao Pantanal: o manejo integrado do fogo.
Em suma, é um sistema de planejamento e gestão que combina aspectos ecológicos, culturais, socioeconômicos e técnicos para gerenciar o uso do fogo de forma segura e sustentável.
Além disso, Gustavo acredita que o evento foi essencial para apresentar o Pantanal e entregar a carta de proteção às áreas úmidas para autoridades e personalidades ambientais importantes no cenário nacional.
Angelo Rabelo, diretor-presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), concorda ao citar que o bioma foi bem-apresentado durante o evento climático.
“Mesmo a COP acontecendo no coração da Amazônia, em Belém, eu diria que o Pantanal nunca foi tão representado e incluído em uma pauta global para a situação de emergência climática que vivemos”, afirmou.
“Não houve o mesmo espaço dado à Amazônia, mas foi apresentado que é um território atingindo seriamente pelas mudanças climáticas e que precisa de políticas públicas. A questão do sequestro de carbono e a relevância que o Pantanal desempenha nesse fator, além do grande ativo que o território tem, que é a grande biodiversidade encontrada por aqui e que está presente porque temos uma realidade de alta taxa de conservação”, completa Rabelo.
Porém, mesmo com a ação de levar o nome do bioma pela conferência tendo sido considerada um sucesso, o texto não incluiu nada sobre proteção às áreas úmidas, atitude que decepcionou Gustavo, visto que o Pantanal é a maior planície alagável do mundo.
“Especificamente acerca do Pantanal, eu digo que não tem avanço prático no texto final da COP”, disse o diretor do SOS Pantanal.
As áreas úmidas são cruciais para o clima, já que armazenam grande quantidade de carbono na atmosfera e atuam como “esponjas”, que absorvem o excesso de água para controlar inundações e liberam água lentamente para evitar secas severas, protegendo contra eventos climáticos extremos.
Agora, os especialistas esperam que essa questão seja debatida e colocada no texto da próxima COP, que será a 31ª, sediada na Austrália ou na Turquia.
COP30
Ao todo, foram 29 decisões aprovadas por consenso na conferência, que incluem avanços em temas como transição justa, financiamento da adaptação, comércio, gênero e tecnologia.
A conferência climática finalizou um conjunto abrangente de 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso sob a Meta Global de Adaptação. Os indicadores envolvem setores como água, alimentação, saúde, ecossistemas, infraestrutura e meios de subsistência, e integram questões transversais como finanças, tecnologia e capacitação.
Porém, para o diretor do SOS Pantanal, o texto foi decepcionante e “fora da realidade”, por cauda da urgência climática que o mundo vive.
“A COP como um todo, assim como de praxe, deixou a desejar muito. O que saiu de acordo é insuficiente para a gente enfrentar a crise climática com seriedade e com a urgência que a gente precisa. Mais uma vez, os combustíveis fósseis ficaram de fora, por pressão de alguns países”, lamenta Gustavo.
Combustíveis fósseis são fontes de energia não renováveis formadas a partir da decomposição de matéria orgânica ao longo de milhões de anos e, por isso, são uns dos principais causadores do aquecimento global por sua alta capacidade de poluir o ar.
“É muito preocupante. Mais uma vez, a gente vê que o principal causador do aquecimento global, das mudanças climáticas, que é a queima de combustíveis fósseis, ficou de fora do texto, não só não teve nenhuma medida clara, mas ficou de fora do texto oficial, então é muito preocupante”, reforça.
Uma das ações para diminuir a emissão de combustíveis fósseis é o Mapa do Caminho, um roteiro para a sua eliminação gradual, promovendo a transição para fontes de energia limpa.
Porém, a ação não foi incluída no texto e a tendência é que seja uma ação implementada pelo governo brasileiro, sendo o primeiro país a adotá-lo.
Saiba
A próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima será realizada na Turquia, no ano que vem. Fonte: Correio do Estado

