
Troca de mensagens entre advogado e então prefeito de Bodoquena (MS) — Foto: Divulgação
Troca de mensagens entre advogados e servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul mostram como funcionava as negociações de valores em um suposto esquema de venda de sentenças. O esquema é alvo de uma operação deflagrada, nesta quinta-feira (24), pela Polícia Federal e Receita Federal, que afastou 5 desembargadores do estado.
A operação encontrou indícios de negociação de decisões judiciais em processos e julgamentos no âmbito do TJMS, por meio da intermediação de advogados, lobistas e parentes dos desembargadores citados na investigação.
Durante a operação, foram apreendidas diversas armas na casa de dois desembargadores. Além disso, foram encontrados mais de R$ 3 milhões em espécie.Somente na casa de um dos investigados, foram encontrados R$ 2,7 milhões.
Em uma conversa por mensagens, interceptada pela PF e citada no processo, o advogado investigado Felix Jayme Nunes da Cunha, negocia com o ex-prefeito da cidade Bodoquena (MS), Jun Iti Hada, a compra de uma sentença. O objetivo era reverter uma condenação do político por dois crimes de falsa perícia, que teriam sido cometidos como médico legista do município.
Na troca de mensagens o advogado diz para seu cliente: “Ta barato prefeito. Vale”, momento em que o cliente pede para parcelar o pagamento em duas vezes. O advogado complementa, comentando que “…é muita gente envolvida para dar certo” e reforça a argumentação dizendo que o cliente “vai ficar sem antecedentes”.
Para os investigadores essa troca de mensagens aponta fortes indícios da compra de decisão judicial. Eles complementam a informação dizendo que em Acórdão do dia 14 de dezembro de 2016, os desembargadores do Órgão Especial do TJ/MS julgaram procedente o pedido de revisão criminal do ex-prefeito, absolvendo Jun Iti Hada.
No texto não há menção sobre valor da negociação. O g1 tenta localizar a defesa de Jun Iti Hada. Fonte: G1
