
Damiana, em dia de manifesto indígena – Foto: Ruy Sposati/Cimi
Morreu na terça-feira (7), a líder indígena Damiana Cavanha, 84. A causa ainda não foi divulgada pela família nem o horário do velório, ao menos até o fechamento deste material.
O Cimi (Conselho Indigenísta Missionário), regional de Mato Grosso do Sul, entidade que briga pelos direitos dos povos originários, divulgou uma nota na tarde desta quarta (8).
“Lutadora incansável pela demarcação de terras, Damiana é um exemplo para todas aquelas e aqueles que lutam por justiça e pelo fim do jugo [influência] do capital agrário no Brasil. Nascida em 1939, ela liderava, desde a década de 1990, o acampamento do Tekoha [terra indígena] Apyka’i, composto por um grupo de famílias que ocupavam o território tradicional, tomado por um canavial, às margens da rodovia BR-163, a menos de 10 km do perímetro urbano de Dourados [segunda potência econômica de MS].
Seguiu o comunicado do Cimi:
“Em 2012, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) instituiu um grupo de trabalho para iniciar o processo demarcatório, nunca levado adiante. Apesar disso, Damiana viveu acampada com sua família por todo esse tempo em seu Tekoha – ora nas margens da rodovia, ora em meio às plantações de cana”.
Ainda segundo a nota do Conselho, Damiana “sobreviveu a muitos desgostos. Sobreviveu a ataques armados de jagunços e empresas de segurança privada, e a a despejos e reintegrações de posse, com ou sem mandado judicial. Sobreviveu a uma centena de policiais na porta do seu barraco, às seis da manhã de um dia frio de inverno, para despejá-la – ela, o marido, filhos e netos –, para garantir o plantio de cana-de-açúcar.”.
Completou o Cimi:
“O Cimi manifesta sua solidariedade à família de Damiana e a todos os Kaiowá e Guarani que sofrem com sua perda inestimável. Que a luta de Damiana, seus ensinamentos e seu exemplo heroico nos iluminem e motivem a seguir em frente, em defesa da vida e da justiça”. Fonte: Correio do Estado

