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Anta no cerrado vive dez anos a menos que no Pantanal

"A gente inclusive brinca que a anta no Pantanal é a anta no paraíso, enquanto que a anta no cerrado é a anta no inferno", diz Patricia Medici

por Redacao
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Aparentemente atingida por um caminhão, anta foi atropelada nesta semana na BR-267, próximo a Nova Alvorada do Sul – Foto: Marcelo Victor

Repórter fotográfico há 15 anos em Campo Grande e no interior do Estado, Marcelo Victor ficou literalmente espantado ao se deparar com uma anta morta às margens da BR-267, na última terça-feira, entre Nova Alvorada do Sul e Bataguassu. “Não sabia que era tão grande, por isso que as pessoas morrem quando atropelam uma”, declarou enquanto fazia o registro fotográfico.

E os atropelamentos são apenas uma das causas para que antas da região do cerrado vivam, em média, dez anos a menos do que aquelas que habitam a região do Pantanal. A conclusão é da pesquisadora Patricia Medici, engenheira florestal e doutora em ecologia e conservação pela Universidade de Kent, na Inglaterra. Há quase três décadas se dedica ao estudo da anta brasileira.

“A gente inclusive brinca, na realidade nossos dados mostram, que a anta no Pantanal é a anta no paraíso, enquanto que a anta no cerrado é a anta no inferno”, diz Patricia Medici. No Pantanal, segundo ela, as análises da dentição evidenciam que é comum encontrar exemplares com 25 a 26 anos. No cerrado, porém, o exemplar mais velho já encontrado tinha 16 anos, de acordo com ela. Em cativeiro, ela pode chegar a 40 anos.

As análises são feitas tanto em animais vivos quanto em exemplares mortos, como os que são atropelados nas rodovias. Desde 2013, o ong Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira (INCAB) e o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), coordenados pela doutora, catalogaram mais de 700 antas mortas por atropelamento em rodovias de Mato Grosso do Sul. Neste período, pelo menos 40 pessoas já morreram vítimas de acidentes com animais silvestres, a maioria com antas.

Até 2015, a rodovia campeã nacional de atropelamentos era a BR-267, onde o fotógrafo Marcelo Victor ficou surpreendido com o tamanho do animal, que pode atingir até 250 quilos. Depois disso, ela perdeu o status de campeã para a MS-040, que é paralela à 267 e está situada na mesma região de Mato Grosso do Sul. Em apenas oito anos o INCAB catalogou 209 carcaças na 040, mas a estimativa é de que os casos sejam 50% maiores.

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