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Trem da morte: como era a viagem no trem mais alternativo da Bolívia

por Redacao
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Uma das formas mais baratas de chegar à Bolívia é embarcando no Trem da Morte. A linha férrea nos leva de Puerto Quijarro, na divisa com o Mato Grosso do Sul, até Santa Cruz de la Sierra, uma das principais cidades bolivianas.

Mas, antes de prosseguir, preciso explicar que esse nome surgiu porque essa linha férrea era usada para transportar doentes de uma grave epidemia de febre amarela que aconteceu na região de Santa Cruz no século passado.

A viagem no trem operado pela Ferroviaria Oriental representa o verdadeiro estilo mochileiro de viajar. O roteiro é feito de forma independente, sem luxo e, principalmente, tem baixo custo.

O primeiro passo para quem deseja pegar o Trem da Morte é chegar a Corumbá de ônibus ou de avião. Infelizmente, a ferrovia brasileira que parte de Bauru, no interior de São Paulo, só transporta cargas. Foi isso que os viajantes Ives Duque, de Campos, no Rio de Janeiro e Gledson de Oliveira Raymundo, de São Paulo, fizeram.

“O meu objetivo era entrar na Bolívia por terra atravessando a fronteira em Corumbá. De lá, ia seguir no Trem da Morte até Santa Cruz de la Sierra e atravessar toda a Bolívia. Assim, chegaria a Machu Picchu, no Peru”, conta Ives.

Bolívia: como é a viagem no Trem da Morte

O trem da morte

Antes de comprar sua passagem, você precisa decidir qual o veículo e a classe que deseja viajar. Isso vai influenciar diretamente no seu conforto e na sua segurança durante esta longa viagem.

Três modelos de trens fazem a rota que liga o Brasil ao coração da Bolívia. O mais clássico é o Expresso Oriental, que demora cerca de 17 horas de Puerto Quijarro a Santa Cruz de la Sierra. Esse veículo tem vagão restaurante e as cabines são bem equipadas. Todas têm televisão, música ambiente, luzes de leitura, banheiros químicos e ar-condicionado. A passagem na classe Super-púllman custa BOB 100.

O mais clássico é o Expresso Oriental, que demora cerca de 17 horas de Puerto Quijarro a Santa Cruz de la Sierra – Foto: Gledson Raymundo

“Eu viajei no Trem Expresso Oriental. Ele é confortável, mas a verdade é que os bolivianos não ligam para luxo. Inclusive, colocam as crianças no chão do trem sem cerimônias”, explica Gledson.

Já o Ferrobus, o mais caro deles, tem vagões com cama. A viagem demora menos de 14 horas até Santa Cruz de la Sierra. Suas cabines são equipadas com ar-condicionado, televisão, música ambiente e banheiros. Além disso, toda a alimentação e o serviço de bordo estão inclusos no preço da passagem, que custa BOB 235.

A outra categoria, chamada de Mixto, não é indicada para turistas. Ainda assim, muitos mochileiros escolherem esta opção por causa do preço. Custando apenas BOB 45, a viagem é feita em vagões sem ar-condicionado e com o mínimo de conforto que você pode imaginar.

Neste veículo, você correrá o risco de ficar completamente cercado por bagagens. Os passageiros têm o costume de colocar as suas malas e bolsas sob os assentos, na frente de seus pés e em todos os lugares onde restar um pouco de espaço. Isso pode tornar sua viagem muito desconfortável, já que você não poderá se movimentar.

Como comprar a passagem

Os trens partem diariamente de Puerto Quijarro e aqui você pode consultar os horários e as tarifas. Algumas agências de viagem que funcionam em Corumbá vendem a passagem, e você pode comprá-la assim que chegar à cidade, mas é sempre melhor adquirir o bilhete com antecedência no site da Ferroviaria Oriental.

Outro meio muito comum de conseguir um bilhete é através de cambistas. Brasileiros e bolivianos negociam livremente as passagens na fronteira, mas se você escolher esta modalidade terá que arcar com os riscos de comprar uma passagem falsa.

Foi exatamente isso que aconteceu com Ives. Ele sabia que é comum encontrar moradores vendendo tíquetes com um valor um pouco maior para viajantes que não mais encontram as passagens no guichê da estação ferroviária. Mesmo sabendo dos riscos, ele pagou pela passagem do cambista.

“Eu atravessei a fronteira, saindo de Corumbá e chegando direto na estação em Puerto Quijarro. Quando cheguei, conheci outros viajantes, todos com suas mochilas esperando um morador local que havia prometido trazer os tíquetes, pois na bilheteria eles já estavam esgotados.

Brasileiros e bolivianos negociam livremente as passagens na fronteira – Foto: Gledson Raymundo

Depois de muita espera, o boliviano chegou com nossos tíquetes. Negociamos um pouco o preço, mas acabamos comprando, já que não tínhamos outra opção. Nesse momento começamos a perceber que estava acontecendo algo de errado, que só tivemos certeza quando entramos no trem: nós não recebemos os tíquetes, mas o guarda nos deixou entrar mesmo assim, e o funcionário que confere os bilhetes nos pulou e, acreditem, o vagão estava vazio”, conta o viajante.

Essa história não acaba aqui. Na manhã seguinte, antes do desembarque, um policial entrou no vagão de Ives para conferir os bilhetes. Nessa hora, nem ele nem os outros viajantes do seu grupo tinham a passagem para apresentar. Mesmo explicando o que havia acontecido, Ives e os amigos tiveram os passaportes apreendidos.

“Então, fomos a um posto da polícia na estação de Santa Cruz de la Sierra, onde tomaram nosso depoimento e assinatura. Nessa hora, eles nos colocaram um terror falando que muitas coisas poderiam ter acontecido com a gente, pois caímos na rede de uma quadrilha que envolvia moradores locais e funcionários do trem. Mas, no final, depois desse grande susto, os policiais nos liberaram”, lembra Ives.

Cruzando a fronteira

A maioria dos brasileiros chega ao ponto da divisa entre o Brasil e a Bolívia de táxi. Daqui pra frente, você terá que exercitar um pouco a sua paciência. É que dependendo da época, os postos de imigração brasileiro e boliviano ficam lotados e você precisa aguardar na fila para receber os carimbos autorizando sua viagem.

A saída terrestre do Brasil para a Bolívia é muito ruim. Temos que encarar a fila da Aduana Brasileira para dar a sua saída do Brasil e do lado boliviano mais fila de turistas para dar entrada no país”, lembra Gledson.

Para entrar na Bolívia, brasileiros podem apresentar a carteira de identidade, desde que esteja em boas condições e que tenha sido emitida há pelo menos dez anos, ou o passaporte dentro da validade. Carteira de motorista, certidão de nascimentos ou qualquer outro documento não será aceito.

Se você estiver planejando visitar áreas da Floresta Amazônica boliviana, o governo brasileiro sugere que você seja vacinado contra a febre amarela. Para saber mais, leia: Dicas para evitar malária e febre amarela.

Cuidados na viagem

Além de ficar esperto na hora de comprar sua passagem no Trem da Morte, é muito importante ter cuidado com objetos pessoais e com sua bagagem. A Bolívia é um país muito pobre e, apesar de não ter tanta violência, você sempre estará cercado por pessoas tentando se aproveitar de você de todas as formas.

“Histórias como a de pessoas entrando no bagageiro do ônibus para furtar mochilas durante a viagem e bloqueios na estrada com apedrejamento são reais, acredite, aconteceu comigo. Mas cada momento foi incrível”, alerta Ives.

Já o Gledson teve uma viagem mais tranquila. Mesmo comprando a passagem com um cambista, ele fez a viagem tranquilamente e recomenda. “Em nenhum momento eu me senti inseguro. A viagem foi muito tranquila, não dá medo algum. Com certeza muito do que se fala sobre o Trem da Morte é lenda”, ressalta.

Um conselho que todo viajante deve observar é quanto à alimentação: leve algo para beber e comer durante a viagem. Dentro do vagão, você pode comprar lanches rápidos e, como eu já expliquei, algumas passagens incluem refeições, mas veja o que nos conta Ives Duque:

Nas paradas, muitos vendedores vão até a janela para oferecer alimentos. Se tiver coragem, isso pode ser sua salvação, caso não tenha suprimentos na mochila. A refeição do trem não sustenta muito”, alerta.

Se você quiser saber mais sobre os cuidados mais comuns que você deve ter em uma viagem à Bolívia, leia: Cuidados ao viajar para a Bolívia.

INFORMAÇÕES BÁSICAS
Visto | Brasileiros não precisam de visto para entrar no país e o prazo máximo de permanência é de 90 dias.
Documentos | Você pode usar o passaporte ou a carteira de identidade, emitida há menos de dez anos.
Dinheiro | A moeda oficial é o boliviano, representado pela sigla BOB. Veja como usar seu dinheiro na Bolívia.
Vacinas | A vacinação contra febre amarela é obrigatória. Saiba como solicitar o certificado.

Seguro viagem

Nem todos os países têm um sistema de saúde público e gratuito. Na verdade, na maioria deles, viajantes estrangeiros não têm acesso a assistência médica gratuita. Por isso, é muito importante ter o seguro internacional de saúde – também chamado de seguro viagem. No caso da Bolívia, o  seguro viagem passou a ser obrigatório  depois da pandemia de covid-19.

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

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Você já imaginou quanto custa um tratamento médico para esses casos em outros países? Dependendo da gravidade, o atendimento pode custar milhares de dólares, podendo gerar sérias dificuldades financeiras para você e seus familiares para o resto da vida.

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons. Com informações do site Pé na Estrada

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