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Pesquisa revela que bioma corre risco de passar por uma nova catástrofe

por Redacao
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O Pantanal tem passado pela pior seca dos últimos 60 anos, fato que contribuiu para as queimadas recordes do ano passado.

A questão é que o Brasil já tem dois dos três ingredientes que podem fazer o cenário se repetir em breve, quando a estiagem atingir o bioma, acendendo alerta não apenas às ações preventivas, mas à necessidade de uma mudança de comportamento que pode fazer toda a diferença e ajudar 2021 a ter índices menores do que o ano anterior.

Pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) fizeram um estudo profundo sobre todos os fatores envolvidos nos incêndios florestais.

Eles constataram a presença de um bloqueio meteorológico, caracterizado pelo surgimento de uma área de alta pressão que impediu a formação de chuva em toda a região do Centro-Oeste da América do Sul.

Isso fez com que a temperatura aumentasse e a umidade relativa do ar diminuísse, cenário perfeito para que chamas se alastrassem rapidamente e ficassem fora de controle.

As pessoas que vivem no Pantanal têm o costume de usar fogo para preparar o terreno – Foto: Reprodução

O meteorologista coordenador do Cemaden, José Marengo, encabeçou o estudo. Ao Correio do Estado, ele disse que já houve períodos de estiagem severa no bioma nas décadas de 1960 e 1970, mas que não se compara com aquela que começou em 2019 e piorou no ano seguinte.

“Naquele tempo, a ocupação humana não era tão intensa como atualmente. Trabalhamos em cima de um fenômeno que não é exclusivamente meteorológico. O fogo é um processo cultural na região. As pessoas que vivem não apenas no Pantanal, mas em zonas de cerrado e até na Amazônia, no Brasil e nos outros países em que esses biomas estão presentes, têm o costume de usar fogo para preparar o terreno”, afirmou.

Essa situação é bastante diferente dos grandes incêndios florestais observados em outros países, especialmente no hemisfério norte, onde o fogo pode começar a partir da queda de raios, por exemplo.

Para Marengo, como é impossível controlar o clima, o combate às queimadas deve começar pela fiscalização nas propriedades. Além disso, como a situação se repete ano após ano, e cada vez pior, é preciso ter um tempo de resposta mais rápido.

“Se você trata as queimadas no pior momento, isso é muito perigoso. É preciso ter equipes prontas o ano todo para lidar com esse tipo de situação, e não apenas durante os períodos de estiagem”, disse o cientista.

Segundo ele, antigamente, os períodos de queimadas eram muito claros. Começavam no meio do ano, aumentavam em agosto e setembro e diminuíam durante outubro, esgotando-se em novembro com a entrada das chuvas. Porém, os dados revelam que até a precipitação tem burlado as previsões constantemente. “Este ano, na Bacia do Alto Paraguai, desde fevereiro tem chovido abaixo do normal. Considerando apenas as chuvas, estamos em uma situação muito parecida com a do ano passado. Não quero assustar ninguém, mas estamos caminhando nesta direção”, disse o meteorologista.

A “receita para o desastre ambiental”, segundo ele, tem três ingredientes: falta de chuva, temperaturas muito altas e ação humana favorecendo o surgimento dos focos de incêndio. Os dois primeiros já estão acontecendo, restando tentar contornar o problema o máximo possível focando no terceiro item.

“Não é uma questão de mudança climática, mas de comportamento. Temos que controlar o que pode ser controlado. Aí não teremos uma situação tão impactante como em 2020”, diz Marengo.

Prevenção

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, para combater os incêndios deste ano, estão sendo adquiridos novos equipamentos para o Corpo de Bombeiros.

“Foi definido um investimento de R$ 53 milhões, autorizado pelo governador e que está na fase de compra de equipamentos voltados para incêndios florestais, e também já estamos estruturando todas as outras unidades do Corpo de Bombeiros”, explica.

O secretário também ressaltou que o Imasul está realizando a contratação de brigadas de incêndio para as unidades de conservação e o Ibama e Ministério Público de Mato Grosso do Sul estão organizando um fundo para alocação de recursos específicos de combate a incêndio.

Conforme Verruck, o governo do Estado desenvolveu um plano estadual de combate e prevenção a incêndios florestais, vai ativar em abril uma sala de emergência no Corpo de Bombeiros para monitoramento da região, além de oportunizar linhas de financiamento para produtores adquirirem equipamentos de contenção a incêndios.

Por fim, Verruck citou a aquisição de uma aeronave para o combate aos incêndios no Pantanal. Porém, segundo o secretário, ela só deve ser entregue em 2022. Por enquanto, o governo adquiriu 500h de voos de outra aeronave que fará o combate neste ano. Com informações do Correio do Estado

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