A greve dos agentes de saúde de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, completou ontem uma semana e não há ainda possibilidade de acordo entre os trabalhadores do setor e o prefeito Nelson Trad Filho (PMDB), que, com truculência, não aceita negociar com grevistas e já até instaurou uma comissão para apurar eventuais abusos dos grevistas. A cidade está sem controle da dengue, que continua crescendo segundo boletim informativo da Secretaria Estadual de Saúde.
Está marcado para a próxima segunda-feira o início de uma ação de grande escala contra a dengue e a leishmaniose, com a participação de soldados do Exército. O Comando Militar do Oeste (CMO), com sede em Campo Grande, já liberou tropa de 100 militares para a tarefa. Eles estão recebendo treinamento de técnicos do Centro de Controle de Zoonoses. Segundo o CMO, a participação dos soldados está prevista em um convênio firmado em 2007 e não tem relação com a greve.
O movimento de paralisação, conforme o comando da greve, tem a participação de pelo menos 200 dos 600 agentes de saúde do município. A Justiça considerou ilegal o protesto, mas conforme o presidente do sindicato da categoria, Amado Cheikh, “a paralisação é por conta de cada trabalhador”. Desde o ano passado, 22 pessoas morreram em consequência da dengue hemorrágica em Campo Grande. Até este mês foram registrados 41.430 casos na cidade.
Na Capital, movimentos populares estão apoiando a greve dos agentes de saúde. Nesta semana, as entidades divulgaram uma carta solidarizando-se com o movimento. Veja a íntegra:
APOIO AO MOVIMENTO DOS AGENTES DE SAUDE DE CAMPO GRANDE
Os Agentes de Saúde e Epidemiológicos de Campo Grande lutam para que o Prefeito Municipal reconheça a equiparação salário preconizado pelo Ministério da Saúde por que hoje o servidor recebe pouco mais do salário mínimo vigente no Brasil trabalhando de sol a sol nas ruas da cidade. Esses trabalhadores lutam para que seja garantido o protetor solar, o vale refeição pelo fato de que o serviço é itinerante e pelo plano de carreira. O mês de Janeiro é o único mês que possibilita para a categoria chamar a atenção do poder público e da sociedade para a realidade lastimável de trabalho destes importantes servidores que lutam dia a dia pela saúde da população. A categoria mobilizada entende que o seu sindicato legitimo é o SINTESP – Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Publica e NÃO o SISEM – Sindicato dos Servidores Municipais que por décadas não realiza nenhum trabalho de base entre os servidores e nos últimos anos, a pratica sindical é de carimbar a decisão da Administração Pública de Campo Grande MS. Nessas condições todos os servidores municipais há décadas não conquistam nenhum beneficio ou avanço na condição trabalhista por pura inércia das lideranças do SISEM – que está sempre a serviço dos interesses dos gestores do município. O atual gestor da capital; Sr. Nelson Trad Filho, preconiza que não reconhece o SINTESP e trata os trabalhadores que se mobilizam em busca das suas conquistas de forma truculenta fechando-se para o diálogo com os lideres que tem o apoio total dos servidores da saúde em questão. A paralisação continua e não é um movimento ilegal como propala o Prefeito com a decisão Judicial. Os profissionais estão paralisados em caráter particular em busca de melhorias nas suas condições de trabalho sob a condução política do SINTESP por tanto, não há desrespeito a determinação da ordem Judicial. Amparado pela legislação em vigor – pela Constituição Federal o movimento é legitimo e conta com apoio da população bem como das lideranças Sindicais de diversas categorias e Centrais Sindicais do Brasil. Nós abaixo assinado APOIAMOS o MOVIMENTO DOS AGENTES DE SAUDE E EPIDEMIOLÓGICO DE CAMPO GRANDE como cidadãos conclamamos o Prefeito Nelson Trad Filho para que estabeleça a agenda de negociação a fim de dirimir todas as questões de interesse dessa classe trabalhadora.
Estadão e MS Notícias
