
Arianna Huffington, cofundadora do site Huffington Post, um dos líderes em audiência na categoria notícias nos Estados Unidos
Apresentada como criadora da “plataforma digital que reinventou o jornalismo”, Arianna Huffington não vê oposição, mas convergência, no futuro, entre as mídias impressas e online. “O futuro não é excludente, mas de coexistência”, previu em conversa com jornalistas da “Folha de S.Paulo”, no auditório do jornal, na manhã desta quarta-feira.
Nascida na Grécia, naturalizada americana, a empresária revelou que, depois de poucos anos de atividade, o “Huffington Post”, jornal online que agrega nove mil blogs, além de uma equipe própria de jornalistas, tornou-se uma operação lucrativa, mantida por publicidade, graças à credibilidade e audiência alcançadas.
Destes blogs, apenas duas centenas são remunerados, esclareceu, referindo-se aos jornalistas que trabalham no site. Os demais são mantidos por conveniência de ambas as partes – em troca de conteúdo qualificado, o site oferece divulgação aos blogueiros para seus milhões de leitores.
Um dos segredos do sucesso do “Huffington Post”, disse a empresária, é o trabalho de moderação de comentários em todos os blogs e textos. “É fundamental. Defendemos a divergência de opiniões”, disse, mas o leitor não pode se sentir presente num ambiente hostil, de ofensas e difamações.
Huffington voltou a falar sobre uma diferença que enxerga entre a mídia impressa e a online. “Seguimos um assunto de forma obsessiva, dia após dia, adicionando informações. Já o jornal, dá um grande furo num dia e abandona o assunto no dia seguinte. Ele sofre de déficit de atenção”, brincou.
Falando em inglês com forte sotaque, a empresária contou que surpreendeu-se, em seu giro pelo Brasil, que todos só se referem à presidente eleita Dilma Rousseff pelo primeiro nome. “Como se ela fosse a Oprah”, observou, referindo-se à apresentadora americana Oprah Winfrey.
O estilo de Huffington pode ser observado pela história que contou. Em conversa com o publicitário Nizan Guanaes, ouviu dele que ele voltou a se casar com a mesma mulher, depois de um período divorciado. “Meu divórcio foi um fracasso”, disse ele. Imediatamente, a empresária convidou o publicitário a escrever um texto sobre o divórcio no “Huffington Post”.
Questionada sobre o vazamento de informações secretas do governo americano pelo site WikiLeaks, Huffington defendeu a divulgação. “Estamos vendo um confronto inédito, que iria acontecer mais cedo ou mais tarde, entre o governo, que tenta manter seus atos em segredo, e a nova tecnologia, que permite a divulgação de muita coisa”.
A empresária disse ao UOL Notícias não ter se chateado com o fato de Julian Assange ter escolhido veículos de mídia impressa, e não o “Huffington Post”, para vazar o chamado “Cablegate”. “Fiquei feliz com a divulgação. O ‘Guardian’ e o ‘New York Times’ são grandes jornais”, disse.

