No ano em que a demarcação de terras indígenas foi para o Ministério da Agricultura – antiga aspiração dos ruralistas-, e o presidente prometeu enviar à Câmara dos Deputados projeto que isenta de punição proprietários rurais que atirarem em invasores de suas áreas, a 13ª Grande Assembleia Terena abre os trabalhos nesta quinta-feira (dia 9), em Aquidauana, com uma pauta que une esse novos tempos e velhas demandas: conjuntura política e questão fundiária.

Célia Xakriabá afirma que há um genocídio legislativo – Foto: Paulo Francis
O debate, na ensolarada aldeia Ipegue e aberto com o canto “Eu sou terena e para a minha terra vou voltar”, reúne lideranças indígenas, políticos, representantes de órgãos públicos e expoente da música, a cantora Maria Gadú. As entrevistas convergem na análise de que a primeira bala do governo foi para os índios.
“A principal diferença esse ano é o contexto político. De forma a querer atropelar e acabar com os direitos originários. Mas, esse momento tem esse ponto positivo de união, se não for isso podemos perder. A proposta da assembleia é ter uma linha política para Mato Grosso do Sul, o que vamos fazer de enfrentamento, o que as mulheres e a juventude vão deliberar”, afirma Lindomar Terena, organizador da Assembleia.
Violento – Presidente da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), Sônia Guajajara, que foi candidata à vice-presidente do Brasil pelo PSOL, afirma que o governo federal, na gestão de Jair Bolsonaro (PSL), é um inimigo declarado e que resgata um discurso integracionista, como na ditadura.
“Mato Grosso do Sul é um Estado violento, com muitos conflitos e disputas. Com o maior número de terras não demarcadas. É importante fazer a nossa unidade. A nossa pauta principal continua sendo a demarcação. O governo é inimigo declarado, isso faz com que a gente tenha uma reação. A gente continua lutando por tudo, mas a nossa prioridade é a garantia do direito territorial” afirma Sônia, que concentra os cumprimentos mais efusivos entre os participantes.
Ela analisa que a flexibilização do porte de armas agrava o litígio fundiário. “A gente já sentiu aumento dos conflitos desde o primeiro dia de 2019. Foi uma simbolização de que seria tenebroso e começou a pipocar conflitos para todos os lados”. Com informações do campograndenews
