
Durante o cumprimento dos mandados da Operação Mão Dupla, foram apreendidos uma arma e várias cédulas de dinheiro – Foto: Divulgação
A Operação Mão Dupla, realizada ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), apura sequência de suposto esquema de corrupção instalado na prefeitura de Coronel Sapucaia. A ação é a segunda fase da Operação Pretense, que teve entre seus alvos o ex-prefeito da cidade e o marido da atual gestora, que também é secretário.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a ação cumpriu 23 mandados de busca e apreensão, além de 13 mandados de medidas cautelares (que envolvem proibição de acesso às dependências da prefeitura da cidade, proibição de contato com outros investigados e monitoramento eletrônico) e 2 suspensões do exercício de função pública em Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó. Também foram cumpridos dois mandados de busca pessoal.
Um desses alvos, segundo apurou o Correio do Estado, seria o marido da prefeita de Coronel Sapucaia, Niágara Kraievski, Thiago Valençoela Coutinho, que também atua como secretário municipal de Administração. O outro alvo seria Rudi Paetzold que foi prefeito da cidade até 2024.
Segundo a investigação, os dois atuariam, com outros servidores, em esquema de corrupção que envolveria fraude em licitações para beneficiar um grupo de empresas pertencente a uma família.
Ainda conforme o Gaeco, a ação de ontem foi uma segunda fase da Operação Pretense, deflagrada em dezembro de 2024 e já havia investigado corrupção no município fronteiriço.
“Em seguimento, a investigação aponta agora a prática de crimes de fraude a processos licitatórios e contratos deles decorrentes, peculato-desvio, corrupção passiva e pagamento irregular em contratos públicos, envolvendo agentes políticos, secretários, servidores e empresários com atuação no município de Coronel Sapucaia”, diz nota do MPMS.
Operação Pretense
Na primeira fase da investigação, o Gaeco apurou a fraude em um contrato específico, a investigação suspeitou de fraude na construção do hospital municipal de Coronel Sapucaia, que custouR$ 9.181.402,38 e foi construído pela empresa A.D.M. Construtora.
Segundo a apuração, as obras foram “realizadas pelas empresas com serviço de qualidade ruim e emprego de materiais reaproveitados, em verdadeira situação mascarada para desvio de recursos públicos”, informa nota distribuída pela assessoria do MPMS.
Ainda segundo o MPMS, a investigação apontou a “existência de indícios da prática de crimes de fraude a processos licitatórios envolvendo empresas pertencentes a grupo familiar de Coronel Sapucaia, uma delas, inclusive, sem possuir sede, patrimônio ou funcionários, contratada para consecução de obra milionária do hospital municipal”.
A empresa contratada pela prefeitura em 2022 tem como proprietário Alan Douglas Maciel, que assinou o contrato do hospital com o ex-prefeito Rudi Paetzold.
A empresa tem sete contratos com o município, que, desde 2022, somam R$ 12,7 milhões. Além da construção do hospital, a A.D.M. Construtora também foi responsável por reformas de escolas e Unidades de Saúde ao longo dos últimos anos.
O contrato para a construção do hospital foi assinado em junho de 2022, com prazo de dois anos para a conclusão dos trabalhos.
Os outros contratos, no entanto, foram assinados entre abril e dezembro de 2024, ano em que o MPMS deflagrou a primeira etapa da operação.
Velho conhecido
A investigação começou ainda na gestão do ex-prefeito Rudi Paetzold, que administrou a prefeitura de Coronel Sapucaia por mais de uma vez e também foi alvo de mais de uma investigação.
Em 2010, Paetzold e seu vice foram cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) porque os juízes entenderam que o ex-prefeito não comprovou o pagamento de cabos eleitorais na prestação de contas da sua campanha.
Porém, o político conseguiu reverter a decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e acabou assumindo o cargo.
No ano passado, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) condenou Paetzold por falta de transparência durante sua gestão.
Referência
Conforme nota do MPMS, o nome dado à operação, Mão Dupla, faz referência “ao bordão utilizado por agente político, frequentemente utilizado nas tratativas para as contratações públicas ilegais: ‘Você me ajuda que eu te ajudo’”, diz nota. Fonte: Correio do Estado

