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Rio Paraguai caminha para novo ano de seca extrema em 2026

por Redacao
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Estudo do Serviço Geológico do Brasil aponta que nível do rio em Ladário pode ficar abaixo de zero ainda no mês de agosto; chuvas na bacia estão 16% abaixo da média – Foto: Arquivo

O Pantanal sul-mato-grossense pode enfrentar um cenário hidrológico severo nos próximos meses. De acordo com o boletim mais recente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado nesta semana, as projeções indicam que o Rio Paraguai tende a registrar outro ano crítico, com o nível da água podendo atingir marcas negativas na régua de Ladário — principal ponto de referência da região — já no segundo semestre de 2026.

O estudo aponta que, no cenário mais pessimista, o nível do rio pode chegar a 17 centímetros abaixo de zero até o final de agosto. O alerta acende um sinal amarelo para a navegabilidade, o ecossistema pantaneiro e o abastecimento, aproximando-se da crise vivida em 2024, quando o rio registrou o recorde histórico de 69 centímetros abaixo de zero.

Déficit de chuvas é o vilão

A principal causa para o prognóstico negativo é a escassez de precipitações. Durante os primeiros cinco meses da atual estação chuvosa (que se inicia em setembro), o volume de chuvas na bacia do Rio Paraguai ficou 16% abaixo da média histórica.

Em Ladário, foram registrados apenas 551 milímetros de chuva desde o início do ciclo hidrológico, enquanto o esperado para o período seria de 946 milímetros. Atualmente, o nível do rio está em 1,12 metro, marca considerada preocupante pelos técnicos, já que a média normal para esta época do ano é de 2,16 metros — uma diferença de mais de um metro abaixo do padrão.

Comparações Históricas

Os analistas do SGB utilizaram uma base de dados de 125 anos para traçar os cenários possíveis para os próximos seis meses:

  • Cenário Otimista: Baseado no ano de 1928, caso ocorram chuvas tardias excepcionais, o rio poderia chegar a 81 centímetros positivos em agosto.

  • Cenário Crítico: Semelhante ao ano de 1964, a tendência é de queda acentuada, com o nível mergulhando em marcas negativas antes mesmo do pico da estiagem, que geralmente ocorre em outubro.

“A situação atual é de atenção máxima. Estamos com um volume de água significativamente menor do que o necessário para garantir uma cheia saudável no Pantanal”, afirmam especialistas do setor.

Impacto na Hidrovia

Apesar dos baixos níveis, o setor de logística tem demonstrado resiliência. Em 2025, o transporte pela Hidrovia do Rio Paraguai atingiu o recorde de 9,45 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo minério. Contudo, a persistência da seca em 2026 pode impor novas restrições ao calado das barcaças, aumentando os custos e dificultando o escoamento da produção pelo estado.

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