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Dia de Iemanjá: Rainha do Mar é celebrada nesta segunda-feira

Devotos em Salvador costumam preparar oferendas, sobretudo flores e perfumes para lançar ao mar; ritual chega a 104 anos em 2026

por Redacao
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Celebrações tradicionais à orixá acontecem nesta segunda-feira (2) e reúnem milhares de pessoas – Foto: Reprodução/PMC

A tradição do presente para Iemanjá no dia 2 de fevereiro remonta uma história de fé, praticada em Salvador há mais de 200 anos. O bairro do Rio Vermelho ganha as cores azul e branco durante o dia de celebração, e a responsabilidade de dar a principal oferenda à Mãe das Águas fica a cargo de pescadores e do povo de terreiro.

Em entrevista ao g1, Elias Conceição, do Terreiro Olufanjá, contou que a responsável por coordenar a preparação da oferenda neste ano foi Mãe Nicinha de Nanã, pela segunda vez. O presente escolhido ainda não foi revelado.

Ogan do terreiro — cargo que atribui aos homens responsabilidade sobre o funcionamento e relações sociais do espaço no dia a dia —, Conceição ressalta que essa preparação ultrapassa a construção material do objeto que será dado e inclui um grande esforço espiritual.

“A responsabilidade é gigantesca para quem é de Axé. Se lida com muita energia, muita gente, não é uma questão só de festa”.

Conforme o ogan, o trabalho inclui pedir a permissão para Oxalá, orixá regente do terreiro, assim como uma série de banhos e outros procedimentos de preparação espiritual. Com isso, a Casa também faz consultas aos orixás para proteger todas as pessoas que estarão na festa.

Em parceria com os pescadores, o povo de terreiro acompanha todo o ritual até a entrega do presente à divindade. “Há uma harmonia entre os terreiros e os pescadores. […] Nós vamos no barco com eles, ficamos no barracão, porque a entrega tem que ser feita na ritualística do terreiro”.

O apreço com a manutenção do aspecto religioso do dia 2 de fevereiro é uma parte importante para a manutenção da importância histórica da data. Ainda que o chamado “profano” também faça parte das manifestações ligadas à Festa de Iemanjá, Elias ressalta que é a religiosidade que mantém tudo unido.

Ressaltando a tradição histórica da prática pelo povo negro e de terreiro, que trouxe de países africanos o culto a Iemanjá, Elias aponta que a dimensão sagrada da festa é essencial.

“O que sustenta essa ação e tudo aquilo que ocorre em torno dessa festa é essa fé, é essa entrega, seriedade, a não quebra dos ritos. É de grande importância que não se mercantilize a festa de Iemanjá”.

Elias Conceição é Ogan do Terreiro Olunfajá, reponsável pela preparação do presente para Iemanjá em 2026. — Foto: Arquivo pessoal

                                  Elias Conceição é Ogan do Terreiro Olunfajá, reponsável pela preparação do presente para Iemanjá em 2026 – Foto: Arquivo pessoal

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